5 erros a evitar num projeto de intraempreendedorismo

  • Fomentar empreendedorismo dentro de uma empresa pode ser benéfico para as grandes organizações, uma vez que promove novos métodos de trabalho e de organização que irão ajudar na criação de um ambiente favorável à inovação.
  • Conceitos como Minimum Viable Product (MVP) e Test & Learn, associados ao intraempreendedorismo, permitem às empresas desenvolver projetos com maior rapidez e com menores custos.
  • O que importa não é o destino, mas a viagem. A implementação de um programa de intraempreendedorismo não deve ser condicionada unicamente pelo sucesso dos projetos realizados. Falhar faz parte do processo.

Marine

Artigo de Marine Odiot, Change Maker na FABERNOVEL INSTITUTE Paris

A implementação de um programa de intraempreendedorismo numa empresa é um exercício difícil. No entanto, boas práticas podem ser seguidas para evitar erros recorrentes na implementação. 

A revolução digital, que tem sido conduzida por players nativos, não é exclusivamente tecnológica e económica: é também o reflexo de novas formas de trabalhar e de organização. Agilidade, velocidade, colaboração, são algumas das características que permitem a estas novas empresas de  inovar mais rápido do que as grandes organizações.

As grandes empresas enfrentam um problema de atratividade: em 2016, apenas 35% dos jovens licenciados tinham intenção de trabalhar numa grande empresa e 36% ambicionavam criar as suas próprias empresas. Os Millennials (a geração de 1980-2000) procuram empresas que vão ao encontro das suas necessidades em termos de criação, responsabilidade, autonomia e significado.

No entanto, os grupos de maior dimensão oferecem vantagens a todos os que estão dispostos a desenvolver projetos de grande impacto: dispõem de infraestruturas sólidas, recursos financeiros e humanos, colaboradores, uma vasta base de clientes, etc.

Para manterem uma posição de liderança no mercado, é importante que as grandes empresas adotem novos métodos de trabalho e de organização que os ajudem a atrair estes talentos e, assim, inovar melhor e de forma mais rápida.

Entre estes métodos, o intraempreendedorismo é bastante interessante. Trata-se de promover o empreendedorismo dentro de uma empresa permitindo que o líder de projeto beneficie de todas as alavancas de ação que a empresa tem para oferecer. Este conceito não é novo, existe há mais de 40 anos, mas o intraempreendedorismo encaixa perfeitamente no contexto atual.

Concretamente, o intraempreendedorismo permite que um colaborador leve a cabo um projeto inovador, do princípio ao fim, dentro da empresa, mantendo o status (emprego e salário). Da perspetiva do negócio, este conceito implica aceitar os riscos inerentes à inovação e mudar radicalmente a cultura e a organização. O que significa que o modelo de operação tradicional do core business da empresa deve “conviver” com estes novos métodos de trabalho e de organização que supõe o intraempreendedorismo.

A FABERNOVEL INSTITUTE acompanha os seus clientes na implementação de métodos ágeis e na aceleração de projetos internos. Com base na nossa experiência, identificámos boas práticas que permitem, tanto quanto possível, evitar erros comuns no intraempreendedorismo.

ERRO #1 : APOSTAR TUDO NO RESULTADO

O que importa não é o destino, mas a viagem. A implementação de um programa de intraempreendedorismo não deve ser condicionada unicamente pelo sucesso dos projetos realizados.

Iniciar um programa de intraempreendedorismo é um ato que reflete uma  mudança na cultura da empresa. Significa que já estão a ser adotados novos métodos de trabalho e de organização que irão ajudar na criação de um ambiente favorável à inovação: reduzindo o tempo de inovação, misturando equipas, envolvendo gestão de topo, etc. As aprendizagens são tão importantes quanto os resultados. É importante que a empresa aceite, desde logo, que só alguns projetos vingarão num programa de intraempreendedorismo, da mesma forma que só alguns projetos de empreendedorismo têm sucesso!

ERRO #2 : GRANDES PROMESSAS

O pior erro de comunicação que uma empresa pode fazer sobre o seu programa de intraempreendedorismo é garantir grandes resultados. Isto é,  a empresa deve procurar ser o mais transparente possível sobre as suas intenções e ter especial atenção ao seguimento que é dado aos projetos no final do programa.

É importante, sobretudo, identificar antecipadamente a capacidade que a empresa tem para apoiar os projetos liderados por intraempreendedores: recursos financeiros alocados, tempo despendido pelos líderes de projeto e o compromisso assumido pelos “patrocinadores” internos certos.

Se a implementação de um programa deste tipo for, acima de tudo, inspiradora, a empresa terá de ser o mais transparente possível sobre o tema. É mais interessante surpreender do que causar frustração.

ERRO #3 : ESPERAR FAZER TUDO DE UMA SÓ VEZ

A adoção destes novos métodos de trabalho e a sua eficácia revelam-se a longo prazo. Os benefícios de um programa de intraempreendedorismo só se manifestam depois de se testar vários projetos e de se ter criado o envolvimento de um número considerável de colaboradores. A inovação é difícil e requer várias tentativas.

Impulsionar é um primeiro passo, mas o verdadeiro desafio de um programa deste tipo é o de manter o ritmo. A empresa deve refletir sobre o seu programa numa perspetiva a longo prazo e dedicar os recursos humanos e financeiros necessários para a sua dinamização, para incentivar um empenho real por parte dos colaboradores.

Esperar fazer tudo de uma só vez, numa altura em que a palavra “intraempreendedorismo” se tornou popular na imprensa, é algo visto como uma estratégia de comunicação e uma inovação superficial.

 ERRO #4 : RESERVAR A INOVAÇÃO APENAS A ALGUNS

A inovação é um interesse comum, o que significa que (i) não deve ser exclusiva à gestão de topo e (ii) deve ser executada pelo maior número de colaboradores possível.

O que significa isto de abrir a inovação a todos?

Em primeiro lugar, significa derrubar as barreiras internas da empresa. O intraempreendedorismo baseia-se num princípio de colaboração: criar uma equipa de colaboradores de diferentes departamentos (TI, marketing, design, departamento legal, etc), que trabalhará em conjunto num projeto.

Em segundo, significa criar uma linguagem comum de inovação, dentro da empresa, sobre métodos ágeis. Para que os projetos de intraempreendedorismo funcionem, todas as partes envolvidas (sejam eles líderes de projeto, do departamento jurídico, do departamento de compras ou mesmo do controlo de gestão) é necessário que entendam o significado de UX (experiência de utilização), MVP (Minimum Viable Product), Pivoting (mudança de rumo) e Testes A/B.

ERRO #5 : DESISTIR APÓS UM FRACASSO

Desistir após um fracasso é, normalmente, uma grande tentação. Os seres humanos são, por natureza, “resistentes” ao erro e isto é ainda mais verdadeiro quando falamos de grandes empresas, que tendem a ser mais sensíveis ao rápido retorno do investimento e, por conseguinte, a não aceitar o fracasso. Como consequência, limitam as iniciativas dos colaboradores e privam-os de lições que poderiam tirar de tais fracassos.

O fracasso é uma fonte de aprendizagem importante, pois confronta as empresas com o feedback dos seus clientes/utilizadores. Mais ainda, a partilha do fracasso entre os colaboradores deve ser encorajada para que todos possam aprender com erros de outros.

O mais interessante no intraempreendedorismo é o facto de se basear em conceitos como o Minimum Viable Product e de Test & Learn. Por outras palavras, este conceito permite à empresa desenvolver projetos com maior rapidez e com menores custos e que estes sejam testados pelos utilizadores. O custo do fracasso destes projetos é menor do que o de um projeto que teria implicado tempo e dinheiro, ou seja, é preferível falhar “pequeno” dez vezes do que um único fracasso de grande dimensão.

Tagged with: