Conhecem o Minimum Viable Product? Vão adorar o Minimum Loveable Product

Arthur_Klein

Artigo de Arthur Klein, Business Developer na FABERNOVEL Code

Lançar um novo produto é difícil. Lançar rapidamente um novo produto de grande qualidade é extremamente difícil. Seja qual for o setor ou nível de maturidade de uma organização (grande organização, serviço público, startup…), vai confrontar-se com este  aparente dilema: privilegiar a colocação de um produto no mercado o mais rápido possível ou um produto que vai apaixonar os utilizadores finais desde o primeiro piscar de olho?

Aqui ficam algumas pistas para lançar o “Just Right Product”: o que deve ser lançado a no momento certo. Para maximizar valor e eficácia, poderá, então, o produto ser só “viable” ou deverá ser “loveable”?

O MVP, uma lógica arriscada para empresas ambiciosas?

O Minimum Viable Product (MVP) é um objeto digital dotado apenas das funcionalidades prioritárias e necessárias para a sua implementação. Faz parte de uma abordagem estratégica que consiste em adiar a inclusão de todas das funcionalidades não prioritárias para mais tarde. Esta lógica é amplamente utilizada por startups e pelos GAFA (Google, Apple, Facebook e Amazon) e é, sem dúvida, a melhor solução para apresentar rapidamente um produto aos utilizadores e receber o seu feedback. Um MPV é a chave de uma abordagem assente na iteração frugal, permitindo evitar despender recursos no desenvolvimento de funcionalidades que não são pertinentes ou que são bastante secundárias: as que trazem pouco valor ao produto.

Por outras palavras, é a versão de um novo produto que permite obter o maior “validated learning” com o menor esforço. Mas para extrair este “validated learning“, é necessário entender o conjunto de hipóteses a validar qualitativamente e quantivamente colocando o produto nas mãos dos utilizadores.

Em resumo, é uma abordagem que permite reduzir ao máximo o “desperdício de recursos” e o “time-to-market”.

No entanto, está lógica tem algumas limitações que se tornam particularmente visível quando o lançamentos de MVPs se torna dominante numa organização. Estes casos extremos são facilmente identificáveis quando as únicas questões para o lançamento do produto são: “que MVP pode ser definido?” e “quando o podemos lançar?”. Na verdade, não é suposto esta abordagem dar lugar a produtos insatisfatórios, deixando de colocar em primeiro lugar as necessidades dos utilizadores. Pouco importa se o “time-to-market” é curto se acabamos por aceitar que são necessárias várias iterações antes de o produto corresponder às expectativas dos utilizadores: eles não o irão adotar!

A longo prazo, a ideia de MVP torna-se um fim em si mesmo para cada  funcionalidade desenvolvida e cada versão lançada, e a “mediocridade” torna-se normalidade!

Este encadeamento negativo assenta numa má prática a evitar com alguma urgência: levar o conceito de “viável” demasiado à letra. Porque muitas vezes, torna-se menosprezar o design e manter o foco no produto – ou firm-centric -, enquanto que os utilizadores têm expectativas cada vez mais elevadas, puxadas pelo novos standards de mercado.

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Acreditam que iPod, iPhone e iPad seriam produtos de sucesso se a Apple se tivesse limitado à lógica de MVP?

Minimum Loveable Product, uma alavanca de adesão e de viralidade valiosa

Para ir mais além do MVP, é necessário partir do simples princípio que os utilizadores devem amar o produto e não apenas tolerá-lo. Quando se lança uma primeira versão do produto, é mais fácil reter os utilizadores até à versão seguinte quando eles amam o que vêm ou quando percebem o potencial do produto – é mais crucial ainda quando os utilizadores têm a hipótese de o adotar ou não! É este o princípio do Minimum Loveable Product.

Para nos convencermos, é suficiente sabermos que:

  • É a versão de um novo produto que permite suscitar mais paixão entre os primeiros utilizadores – ou seja, os early adopters, que serão os melhores embaixadores.
  • Os utilizadores entusiastas apresentam um Customer Lifetime Value mais elevado.
  • Os utilizadores entusiastas desejam que o produto prospere: serão as alavancas cuidadoras de crescimento, prontos a partilhar o seu feedback para uma melhoria do produto.

Mais do que “validated learning“, trata-se de gerar “amor” com o menor esforço: o Minimum Loveable Product valida que utilizadores amam o produto, que utilizarão no futuro e que vão falar sobre ele.

Enthusiasm

 

“It’s better to build something that a small number of users love, than a large number of users like.” – Sam Altman, fundador do acelerador Y Combinator

Contudo, desenvolver um produto pelo qual um número mínimo de utilizadores se apaixona parece uma missão impossível: como conseguir um produto “perfeito”? O desafio é grande, especialmente se adotarmos uma abordagem iterativa e quisermos avançar rápido. Como conseguir o Just Right Product? Um produto com um time-to-maket reduzido e que, ao mesmo tempo, agrada aos utilizadores finais?

Como adotar uma lógica Minimum Loveable Product quando se está condicionado pelo tempo e pelo orçamento?

Aliar Minimum Loveable Product e MVP não é fácil, mas estas duas lógicas não são contraditórias. Aqui ficam algumas ideias para agrupar um time-to-market reduzido e uma adesão dos utilizadores ao Just Right Product.

  1. Experiência do utilizador: investir no design é vital para criar um produto que agrade aos utilizadores. Serão mais fieis se a sua experiência for fluída e fizer sentido para eles. Negligenciar a importância do design é negligenciar o utilizador final e o valor que ele dará ao produto. Os produtos da Apple são, talvez, os mais emblemáticos desta obsessão pela qualidade da experiência.
  2. Funcionalidade central: para evitar uma dispersão entre numerosas funcionalidades, é muito mais prudente concentrarmos-nos, em primeiro lugar, naquilo que o produto faz. É essa funcionalidade, essência do produto, que o tornará loveable. O que implica saber dizer “não”, a outras funcionalidades e opções.
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Instagram: O Minimum Loveable Product por excelência?

O Instagram é, talvez, a história de sucesso mais emblemática de um produto que durante muito tempo servia para uma única função. Começou por chamar-se Burbn, uma app de check-in social, relativamente semelhante ao Foursquare, que permitia também planear encontros e ganhar pontos em saídas com amigos, publicar fotos – utilizando cerca de 30 filtros -, colocar ‘likes’ e fazer comentários.

Quando Mike Krieger se juntou a Kevin Systrom, fundador da Burbn, contestou o número de funcionalidades do produto. Juntos, decidiram reduzir a app ao nível mais simples e intuitivo, limitando as funcionalidades do produto à partilha de fotos, likes e comentários e 11 filtros. Foi assim que começou o Instagram – instantâneo/telegrama. Foi uma aposta arriscada: concentraram-se nas suas primeiras funcionalidades que rapidamente conquistaram numerosos utilizadores, incluindo celebridades que foram responsáveis pela sua rápida viralidade. Em dois meses, o Instagram atingiu 1 milhão de utilizadores!

3. Design Thinking: Manter-se concentrado no “reason why”, o problema que queremos resolver. Uma abordagem design thinking é primordial para um foco unicamente no que tem mais valor. Resolver os verdadeiros pain points (pontos de atrito) dos utilizadores em primeiro lugar é incontornável para tornar o produto “amado”. No entanto, querer resolver todos os pontos de atrito de uma só vez tende a aumentar a complexidade do produto mesmo antes de este chegar às mãos dos utilizadores. A prioritização é uma das chaves do sucesso!

O melhor exemplo para ilustrar a necessidade desta abordagem é, talvez, o Airbnb: em 2009, altura em que a startup estava à beira da falência, a sua equipa encontrou-se com utilizadores nova-iorquinos para identificar pontos de atrito na sua experiência.

Resultado, depois de pouco mais de uma semana de investigação, o problema principal ficou claro: as fotografias tiradas pelos proprietários raramente mostravam todas as divisões, tinham má qualidade e não transmitiam confiança. Uma primeira solução, bastante pragmática, era necessária: os fundadores do Airbnb alugaram uma máquina fotográfica e visitaram proprietários em Nova Iorque para fotografar as casas. O impacto foi imediato, a atividade do Airbnb (no seu nível mais baixo) disparou. Numa segunda fase, a equipa do Airbnb dedicou-se a sistematizar esta abordagem e a torná-lo escalável.

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Penthouse em Upper West Side (Nova Iorque) disponível no Airbnb

4. Design for emotion: Agora, para suscitar reações positivas do utilizador, é necessário exceder as suas expectativas, porque ele está habituado aos standards elevados dos gigantes digitais. Sem passar meses a reinventar o que os GAFA já fizeram, pequenos detalhes a pensar no utilizador poderão ter um enorme impacto na sua percepção sobre o produto. É um pouco como um romance entre um casal: uma palavra doce, um ramo de flores, uma surpresa…!

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O logótipo do Airbnb: um coração de pernas para o ar

Por exemplo, a atividade do Airbnb aumentou abruptamente 30% depois de Joe Gebbia, designer e cofundador da empresa, decidir substituir estrelas por corações no rating.

Para concluir, como introduzir amor no seu MVP sem “cair” em más práticas e tendo em conta constrangimentos de tempo e orçamento? Encorajando o Design Thinking, abordagens user-centric, recolhendo feedback contínuo dos utilizadores ao longo do projeto, de forma a ajustar a trajetória do produto. Objetivo: fazer do loveable uma condição de viable. É esta a definição do Just Right Product: “release early and release often“, mas claro, de uma forma que os utilizadores identifiquem imediatamente o valor do produto.


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