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Non-time: para resolver grandes problemas

Bloqueios criativos, prazos apertados, reuniões infindáveis, baixa produtividade e soluções pouco inovadoras. Caso se reveja num destes cenários, isto é para si.

“Non-time” (não tempo) é a arte de não fazer nada mais do que pensar. Um novo nome para um conceito que não é novo, proposto pelo escritor e orador Steven Kotler, autor de “A Arte do Impossível” (2022), no artigo “3 science-based strategies to increase your creativity” publicado na Ideas.Ted.

No artigo, Kotler explica que o non-time é um período de “pausa do bombardeamento sensorial do mundo (…) é tempo de devaneio e distanciamento psicológico” que permite “ao nosso subconsciente encontrar associações remotas entre ideias”. O autor do artigo realça também a importância de trabalhar com prazos alargados e até sublinha a importância da solidão.

O MODUS OPERANDI DE MENTES BRILHANTES

Einstein ou Nietzsche investiam quantidades significativas de tempo a não fazer nada a não ser pensar. Steve Jobs era conhecido por procrastinar (entrando no processo mental de melhoria constante) ou por realizar reuniões andado a pé à volta do edifício, uma tática também utilizada por Mark Zuckerberg do Facebook.

Sundar Pichai do Google e Jeff Weiner do LinkedIn fazem questão de andar longas distâncias a pé para ir trabalhar, uma forma de pensar e estar só. Mas nem todos conseguem fazer disto uma rotina. Foi ao parar durante um mês da sua azafama de vice-presidente da Oracle, que Marc Benioff teve o “non-time” necessário para perceber a vantagem que seria a computação na Cloud e decidiu que tinha de abandonar a empresa e criar a SalesForce. Mais tarde reconheceu que “as ideias não surgem se não tivermos autorização do nosso próprio interior”.

UMA MENTE À DERIVA QUE CHEGA A BOM PORTO

O psicólogo e jornalista Daniel Goleman, célebre autor de “Inteligência emocional”, já tocou também neste conceito. No livro “Foco” (2013), abordava o impacto do digital e da overdose de informação no empobrecimento da atenção, defendendo a necessidade de treinar a atenção como um músculo para alcançar a atenção plena.

Ao longo do livro faz questão de identificar o preconceito de que a atenção focada em objetivos é mais valorizada do que a consciência aberta e espontânea, sublinhando o valor da mente à deriva, não nos “afastando daquilo que importa, mas sim aproximando-nos de algo de valor”.

Foco e desfoco ou time e non-time são as duas faces da mesma moeda, mas ainda tendemos a olhar apenas para um dos lados.

“A mente intuitiva é uma dádiva sagrada e a mente racional é um fiel servo” disse Albert Einstein, acrescentando “criámos uma sociedade que honra o servo e esqueceu a dádiva”.

Sandra Lucas Ribeiro

Sandra é Co-founder e Managing Partner da Instinct desde a sua criação em 2012, tendo sido COO durante os 10 anos que a Instinct representou a Fabernovel em Portugal. Depois de 7 anos dedicados ao jornalismo, na rádio e na televisão, participou na criação de uma das primeiras agências digitais em Portugal em 1998, a Absolut System adquirida pelo grupo WPP passando a OgilvyInteractive onde foi durante 5 anos Diretora de Serviço ao Cliente. Ao longo da sua carreira passou ainda por várias agências, como a Partners, a Grey e a Strat. Apaixonada pelas ciências sociais, em particular pela revolução social provocada pelo digital e pelo impacto das novas tecnologias no comportamento humano e no mundo dos negócios. Formada em Psicologia (Université Paris 8), em Marketing Management (Católica Business School of Lisbon), Jornalismo (CENJOR) e em Luxury Brand Management (Executive Course - ISEG), tem-se dedicado nos últimos anos ao Human-Centered Design (IDEO.org) e ao estudo das emoções na experiência digital.

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