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Volta à (inovação em) África em um ano

Na maioria dos países africanos, há mais telemóveis do que habitantes adultos.

O mobile foi transformador: trouxe novas formas de comunicar e de consumir e, claro, novos serviços inovadores que respondem de uma forma simples às necessidades locais.

É provável que já tenha ouvido falar, por exemplo, do M-Pesa da Vodacom e da Safaricom. Este serviço financeiro mobile, para quem tem telemóvel mas não tem conta bancária, é utilizado por milhões de pessoas para fazer transferências de dinheiro. Funciona de uma forma muito simples: com dinheiro vivo na mão, os utilizadores vão até pequenos comerciantes para carregar as suas contas mobile M-Pesa. Depois disso, podem transferir eletronicamente o dinheiro, através de um sistema com PIN e SMS. Quem recebe a SMS pode levantar o dinheiro nas lojas de comerciantes parceiros.

Resultado? Uma solução simples, mas eficaz que responde ao afastamento das famílias entre as zonas rurais e urbanas e que facilita as transações comerciais.

Mas a inovação em África vai muito mais além. Várias empresas ultrapassam as restrições estruturais africanas e respondem com engenho, criatividade e vontade de execução aos desafios locais.

O projeto de que lhe quero falar é inspirador na descoberta dos modelos de negócio inovadores em África e na forma como startups de sucesso incorporaram particularidades culturais nas suas estratégias e processos de design. Chama-se Sendemo e é da autoria de Abderrahmane Chaoui, um alumni da Fabernovel que se propôs a viajar por África durante um ano, passando por 14 países.

Pode subscrever aqui a newsletter mensal para acompanhar todas as análises. Neste momento, Abderrahmane Chaoui já analisou o ecossistema de inovação de quatro países: Argélia e Tunísia, Costa do Marfim e África do Sul.

Este projeto de investigação conta com a parceria de três universidades, a SciencesPo Paris, a Carneggie Mellon Africa e a Edinburgh University.

É bem provável que fique com a convicção que, ao contrário da Europa que tende a resolver problemas fáceis com soluções difíceis, em África os problemas difíceis resolvem-se com soluções fáceis.

Boa leitura!

Patrícia Silva

Gestora de comunicação e marketing na Instinct. Colaborou com a Visão, SIC, Rádio Renascença e duas publicações ligadas às temáticas da Energia e Cidades Inteligentes. Licenciada em Comunicação e Jornalismo pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, com uma Pós-Graduação em Jornalismo Multiplataforma pela Universidade Nova de Lisboa e uma Pós-Graduação em Digital Marketing and Analytics pela NOVA IMS.

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