We Love

Os segredos do império Amazon

“Amazon Empire: The rise and Reign of Jeff Bezos” é um documentário da PBS que acompanha a extraordinária ascensão de Bezos e examina o modelo de negócio da Amazon. Apesar do título, o filme não é um elogio ao génio de Bezos. Pelo contrário, o realizador e argumentista James Jacoby investiga o lado mais negro da gigante tecnológica: as suas práticas obscuras (muitas vezes, canibalescas), a concentração de tanto poder numa empresa e o consequente impacto global.

O documentário pode ser visto no YouTube e, ironicamente, alugado na própria Amazon.

Jacoby conta-nos a história da Amazon.com desde o seu início, em 1994, através de conversas com trabalhadores de armazéns, diretores dos primeiros anos da empresa, vendedores na plataforma e atuais diretores que tentam relativizar as críticas dos ex-colaboradores.

As condições de trabalho nos armazéns; a estratégia de “cheetahs and gazelles” que deixam as pequenas editoras/negócios reféns das crescentes taxas da Amazon; os acidentes na distribuição que ficam à responsabilidade dos distribuidores; as questões de privacidade relacionadas com o sistema de identificação facial entregue à polícia nos Estados Unidos. Estas são apenas algumas das críticas e preocupações dos entrevistados.

Hoje, a empresa, que começou por ser apenas uma livraria online, é uma das maiores plataformas de e-commerce do mundo e tem produtos em diversos segmentos: cloud, streaming, inteligência artificial e até um filme vencedor de 3 óscares em Hollywood (Manchester by the Sea). A Amazon domina o mercado digital, juntamente com as grandes empresas norte-americanas Meta (Facebook), Alphabet (Google), Apple e Microsoft. O crescente poder e monopólio destas super empresas é motivo de preocupação há alguns anos e os próprios ex-diretores da Amazon reafirmam essa preocupação. Shel Kaphan, um dos primeiros colaboradores da empresa que ajudou a fundá-la, sugere que poderia fazer sentido dividir a empresa em diferentes partes, dada a dimensão inesperada que atingiu. Mas acrescenta que é preciso mudar o sistema e não apenas dividir a Amazon.

O percurso da Amazon recorda-nos dos avanços da tecnologia nos últimos 20 anos, da velocidade como mudou a nossa vida e da urgência em refletirmos e legislarmos o espaço digital. Scott Galloway, professor de marketing na NYE Stern, fala dessa necessidade de regulamentação destas empresas, numa entrevista a Bill Maher.

João Miranda

Recent Posts

Meta lança AI que controla apps no Mac

Google TV ganha 10 mil filmes e séries grátis | Waymo com novo robotáxi em…

7 horas ago

Hark Handoff: uma AI que faz tarefas por si

O Hark Handoff é um agente de inteligência artificial que navega na internet e realiza…

1 dia ago

“Success isn’t owned. It’s leased, and rent is due every day.”

J. J. Watt, ex-jogador de futebol americano

1 dia ago

Google cria AI que traduz língua gestual

ChatGPT já pode enviar mensagens por si | Meta lança Pocket nos EUA

2 dias ago

Dognosis: usa cães e AI para detetar cancro

A Dognosis desenvolveu o BreathEasy, um teste que analisa a respiração para procurar sinais de…

3 dias ago

Google e Abbott apostam na saúde metabólica

Qwen ultrapassa rivais nos downloads | Starcloud angaria 250 milhões para centros de dados no…

4 dias ago