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Prever os futuros crimes. Ou como mudar o destino.

O iPhone foi testemunha de mais um crime…

O caso aconteceu, em fevereiro do ano passado, e acabou com a detenção de um homem em Alabama, nos Estados Unidos. Como uma das provas, a polícia utilizou os dados recolhidos pela aplicação “Saúde” do iPhone, que registou atividade física na noite do crime, no horário em que o detido disse estar a dormir.

Esta não foi a primeira vez que o iPhone ajudou a resolver um crime – o mesmo já aconteceu, por exemplo, no Reino Unido – o que mostra que, na Era digital, os smartphones e os wearables podem ter um papel importante na averiguação da verdade.

Se este pode ser considerado um pequeno apoio na investigação policial, podemos estar mais perto de outra solução interessante e preventiva. Um grupo de investigadores da Universidade de Chicago desenvolveu um algoritmo capaz de prever a ocorrência de crimes em grandes cidades, com uma antecedência de uma semana e uma assertividade de 90%.

Como é que isto é possível, deve estar a perguntar-se. O algoritmo “divide” as cidades por áreas de 90 m2 e, com base em dados históricos de crime, analisa centenas de milhares de padrões de crime ao longo do tempo para prever futuros eventos. Além de Chicago, já foi também testado com sucesso em cidades como Atlanta, Los Angeles e Filadélfia. Os detalhes estão todos aqui e foram publicados na Nature Human Behavior.

A solução diferencia-se de modelos anteriores de previsão, que tipicamente partem do pressuposto que os crimes emergem de “hotspots” e se espalham pelas áreas envolventes.

Considero esta investigação um bom pretexto para lhe sugerir ver ou rever o filme de ficção científica Minority Report (2002), realizado por Steven Spielberg, com Tom Cruise (John Anderton) no papel principal. Nesta ficção, em 2054, há um sistema que permite saber a data e a hora exatas em que vai ser cometido um crime, permitindo à Divisão de Pré-Crime apanhar os criminosos em flagrante e evitar assassinatos. O filme está disponível na Amazon Prime Video.

Numa sociedade em que são recolhidos cada vez mais dados e a inteligência artificial tem a capacidade de lhes extrair valor, será que algum dia estes sistemas preventivos vão ser suficientemente fidedignos para ser adotados por um ou mais países? Como disse Noam Chomsky, professor do MIT, “a tecnologia é neutra, é como um martelo que tanto pode ser utilizado para construir uma casa, como para magoar alguém.”

 

Patrícia Silva

Gestora de comunicação e marketing na Instinct. Colaborou com a Visão, SIC, Rádio Renascença e duas publicações ligadas às temáticas da Energia e Cidades Inteligentes. Licenciada em Comunicação e Jornalismo pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, com uma Pós-Graduação em Jornalismo Multiplataforma pela Universidade Nova de Lisboa e uma Pós-Graduação em Digital Marketing and Analytics pela NOVA IMS.

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