Google First 25 Years
Há várias empresas que marcaram e transformaram definitivamente a nossa sociedade nas últimas décadas. A Google, que comemorou 25 anos em setembro de 2023, é sem dúvida uma delas.
Os 25 anos da Google foram o motivador para João da Maia Jorge escrever o seu primeiro livro, uma missão de três anos (como side project). “Google First 25 Years” é um trabalho de investigação e de compilação, com grande detalhe. Conta toda a história da empresa e dos seus protagonistas, desde os fundadores, aos investidores, gestores e principais produtos que hoje integram o ecossistema Google.
“Google First 25 Years” não é um simples livro com bom conteúdo. O próprio livro é inovador e diferente porque é ele próprio uma peça de arte. Este “coffee table book” de 2,3 Kg é um trabalho de equipa com o conceito editorial e design da This is Pacifica, magníficas ilustrações de Vivi Campos, encadernação exemplar da Gráfica Maiadouro e as fotografias para o site e media sociais do João Guimarães.
Com uma edição limitada de 1.000 exemplares, esta sugestão de leitura pode deixá-lo frustrado porque já esgotou o stock para a Europa (consegui comprar o meu exemplar mesmo antes de esgotar), mas na visita ao site pode ver algum conteúdo e as ilustrações.






Este é o primeiro livro de João da Maia Jorge e da sua editora daMaia, que promete mais livros neste formato sobre outras empresas de software, que espero para breve.
O livro não é apenas um livro bonito para decorar a sala, mas como referi tem muito conteúdo e detalhe da história da Google e das personalidades mais relevantes na história da Google. Mesmo para mim que sempre acompanhei ao longo dos anos a Google, fui surpreendido com novidades e curiosidades.
Para entender a história da Google, é importante conhecer as raízes dos seus fundadores. Só assim é possível perceber os pilares e os motivadores da organização. João da Maia Jorge dedica um capítulo a detalhar a história de Larry Page e Sergey Brin, como se conheceram e como se consideravam mutuamente detestáveis e arrogantes. É também no primeiro capítulo que descubro que houve um terceiro potencial fundador, Scott Hassan, que escreveu grande parte do código original do motor de busca e que saiu antes da criação formal da empresa (mas foi recompensado com algumas ações).
Das primeiras linhas de código saltamos para o primeiro investidor, o professor de Stanford David Cheriton. Muitos outros se seguiram, como Jeff Bezos, a título pessoal, mas também improváveis, como Arnold Schwarzenegger, Shaquille O’Neal e Tigger Woods, que também foram investidores iniciais da Google (através do fundo Angel II).
Mas, é em 1999 que entram os “pesos pesados” na captação de investimento para a série A: a Sequoia de Michael Moritz e a Kleiner Perkins de John Doerr (que ajudou a Google a implementar a metodologia de OKRs).
A preparar caminho para a entrada em bolsa (IPO), em 2001, Eric Schmidt é contratado como CEO, garantindo ao mercado supervisão adulta aos dois fundadores. Pelo caminho recusam propostas de compra da Yahoo!, um dos gigantes da internet à época.
A Google entra em bolsa a 19 de agosto de 2004, com uma valorização de 23 mil milhões de dólares (em 2021, ultrapassou pela primeira vez os 2 biliões de dólares, entretanto desceu, mas tudo indica que irá voltar a ultrapassar essa fasquia neste ano de 2024).
O produto inicial foi o motor de busca, mas o ecossistema Google cresceu não apenas criando novos produtos, mas também por inúmeras aquisições, como o YouTube, o Android, o DoubleClick, o Waze ou o Nest.



Até hoje, a Google sempre foi uma empresa com grande velocidade na execução. Como refere o João da Maia Jorge, não há sinais de abrandamento com Sundar Pichai como CEO da Alphabet e da Google. Mesmo com os desafios atuais, como a regulação, o combate às fake news e os seus fortes concorrentes na inteligência artificial.
O DNA da inovação faz parte da génese da Google. Só podemos esperar que continue a criar novos produtos e serviços e a transformar positivamente o mundo em que vivemos. Tudo isto, garantindo que se mantém fiel ao seu lema: “Não fazer o mal”.