As inspirações de um líder inspirador
Tony Fadell é conhecido por todos por ser o cocriador do iPod e do iPhone e também o fundador da Nest (comprada pela Google em 2014, por 3.2 mil milhões de dólares). Para além de tudo isto, hoje em dia, é uma das maiores inspirações para quem trabalha em inovação.
Do álbum “The Dark Side of the Moon” a Steve Jobs, neste We Love vamos mergulhar nas coisas e pessoas que inspiraram Fadell ao longo dos anos, reveladas na primeira pessoa em entrevista para o podcast de Lex Fridman.
As ideias que deram origem ao iPod
Música! 🎵 Led Zeppelin, The Rolling Stones, Hendricks, Aerosmith e muitos outros foram os primeiros álbuns que Fadell recebeu na 2ª classe e que o fizeram apaixonar-se profundamente por música. Estava sempre a ouvir música. Não era um miúdo problemático, mas conseguia deixar os pais bastante irritados quando aumentava o volume da música.
Quando vivia em em Detroit, descobriu uma estação de rádio que dava a conhecer novos estilos de música. Uma diversidade de estilos de rock, depois surgiu o funk e, mais tarde, o R&B. Adorava ouvir música, especialmente à noite, mas não podia. Então, desmontou o seu rádio/relógio e colocou-lhe uma entrada jack para poder ligar uns fones de ouvido. Passou a ouvir música pela noite fora sem que ninguém o ouvisse. 🤫
A sua paixão por música continuou a crescer, tornou-se DJ na faculdade e, mais tarde, nas festas em Silicon Valley. Era obcecado e estava sempre rodeado de música. Tocava-a tão alto ao ponto de prejudicar a audição e, ainda hoje, sofrer com isso.
De festa em festa, o DJ Fadell tinha o desejo de se livrar do peso da sua grande coleção de cassettes e CD. 📼💿 É claro que este novo “problema” lançava pistas para a criação de um reprodutor de música digital portátil. Mas naquele tempo, não existia sequer música digital.
A evolução da tecnologia nos anos ’90, com o aparecimento do formato MP3, da memória flash e dos dispositivos de computação móvel, como o Nino e o Velo da Philips, abriram caminho e lançaram as bases para os recursos de áudio necessários ao desenvolvimento do iPod.
Desde o conceito inicial e seleção dos componentes até à criação de um protótipo, o processo de design do iPod foi detalhado e solitário. Tal como montar peças Lego, Fadell considerou diferentes tipos de baterias, memória, processadores e opções de display, e testou as várias formas de encaixar tudo num formato compacto. Fadell valorizava a sensação de substância, então criou modelos físicos para simular o peso e a densidade do produto final até encontrar a solução ideal.
As dores, as alegrias e a visão do iPhone
A Apple estava a recuperar a sua relevância e a estabilidade financeira no início dos anos 2000, com o iPod a contribuir 60% para as receitas totais da empresa. Naquela época com a indústria dos telemóveis a evoluir exponencialmente, a Apple reconheceu a necessidade de inovar para manter a posição no mercado.
Fadell relembra a tentativa falhada de integrar um “iPod” num telemóvel em parceria com a Motorola. Este fracasso revelou a necessidade de mudar a estratégia e de a Apple desenvolver o seu próprio smartphone.

O iPhone foi a convergência de vários projetos. Um iPod com um telemóvel integrado, um iPod de ecrã inteiro com click wheel virtual e uma tecnologia de ecrã multi-touch para um tablet Mac. O objetivo do iPhone era consolidar vários dispositivos num só, resolvendo o problema de carregar dispositivos separados para ouvir música, comunicar e navegar na Internet.
Na visão de Fadell, a abordagem de Jobs para comercializar o iPhone foi pouco convencional para a época, mas bastante eficaz. Jobs inspirou Fadell ao concentrar-se em contar a história abordando os pontos fracos da experiência do utilizador antes da existência do iPhone.
A experiência de trabalhar com Steve Jobs
Steve Jobs desafiava incansavelmente Fadell a dar atenção aos detalhes. A sua busca pela perfeição dos produtos inspirava as equipas que trabalhavam com ele.
Fadell conta que Jobs criticava severamente os trabalhos apresentados. Mas nunca as pessoas. Evitava ao máximo humilhações públicas ou comentários depreciativos para manter um ambiente de trabalho positivo.

Na primeira versão de qualquer inovação, não existem dados concretos sobre aquilo que se está a criar. Jobs ensinou Fadell que nem sempre se podem tomar decisões com base nos dados. E aí, a visão e a intuição apontam o caminho! 👁️ Uma compreensão profunda daquilo que os utilizadores precisavam, era o que diferenciava Jobs de todos os outros líderes.
Para além disso, Jobs incentivava uma cultura onde o “porquê” das decisões era tão importante quanto as próprias decisões, promovendo um sentimento de responsabilidade e compreensão entre os membros da equipa.
Jony Ive é um designer genial
Fadell conta que aprendeu muito sobre design com Jony Ive. A importância da estética, da escolha dos materiais e do processo de design.
No design, a atenção aos detalhes é crucial. Compreender a sensação de um produto nas mãos do utilizador, a sua aparência e como deve ser apresentado em materiais de marketing, são detalhes que marcam toda diferença no sucesso de um produto.

Trabalhar com Ive na procura de soluções inovadoras para desafios de design inspirou Fadell a tornar-se um melhor designer, especialmente na criação de produtos que respondem a necessidades emocionais dos utilizadores, e a nunca se esquecer de olhar para os detalhes.
As inspirações de Fadell não ficam por aqui. Na entrevista com Lex Fridman vai encontrar muitas outras histórias e conselhos inspiradores.
“Somos indivíduos naturalmente curiosos e estamos sempre à procura de significado e de explicação”.
Tony Fadell