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Poder ou cooperação? A história das redes de informação na era da AI

Se somos tão sábios, porque somos ainda tão autodestrutivos? É com esta ideia, que liga com as obras anteriores de Yuval Noah Harari (Sapiens e Homo Deus), que o mais recente livro Nexus explora o impacto das redes de informação na história da humanidade, desde a Idade da Pedra até à era da Inteligência Artificial.

Uma viagem pelas diferentes sociedades e pela forma com os sistemas, ao longo da história, utilizam a informação para atingir os seus objetivos, desde as primeiras histórias orais, à canonização da Bíblia, passando pela invenção da imprensa, pelo mass media e pelas redes sociais.

Para além do poder ligado à informação, Harari explica que a informação é também capaz de gerar uma grande rede de cooperação através daquilo que chama uma “ficção coletiva” em que todos somos atores e aceitamos jogar o papel do dinheiro, das nações ou das religiões. E como em todas as ficções, também existem os maus da fita e, neste caso, é a “desinformação que gera ilusões”.

Uma parte central do Nexus é dedicada à revolução da Inteligência Artificial nas nossas redes de informação. Harari questiona particularmente a sua capacidade de tomar decisões e criar ideias de forma autónoma (generativa). Alerta para os riscos dos sistemas serem falíveis, enviesados e poderem servir alguns poderes.

Para fazer o retrato do que atualmente vivemos com a Inteligência Artificial Generativa, Harari recorda a obra de Goethe, o “Aprendiz de feiticeiro”, popularizada pelo Rato Mickey, em que o aprendiz, num ato de preguiça, lança um feitiço a uma vassoura para realizar uma tarefa que lhe foi incumbida pelo feiticeiro. O aprendiz sabe o feitiço, mas não sabe desfazer o feitiço, e acaba por perder o controlo da situação.

Ora, numa sociedade “Sapiens” que se espera sábia, mas que tem demonstrado casos de “insanidade coletiva”, alimentando guerras ou ignorando a perturbação ambiental do planeta, Harari alerta para a importância de fazer escolhas informadas e de apostar na combinação do poder humano e computacional para garantir que as ferramentas algorítmicas sejam seguras e justas. O autor de Nexus acredita que ainda podemos moldar um futuro melhor.

Sandra Lucas Ribeiro

Sandra é Co-founder e Managing Partner da Instinct desde a sua criação em 2012, tendo sido COO durante os 10 anos que a Instinct representou a Fabernovel em Portugal. Depois de 7 anos dedicados ao jornalismo, na rádio e na televisão, participou na criação de uma das primeiras agências digitais em Portugal em 1998, a Absolut System adquirida pelo grupo WPP passando a OgilvyInteractive onde foi durante 5 anos Diretora de Serviço ao Cliente. Ao longo da sua carreira passou ainda por várias agências, como a Partners, a Grey e a Strat. Apaixonada pelas ciências sociais, em particular pela revolução social provocada pelo digital e pelo impacto das novas tecnologias no comportamento humano e no mundo dos negócios. Formada em Psicologia (Université Paris 8), em Marketing Management (Católica Business School of Lisbon), Jornalismo (CENJOR) e em Luxury Brand Management (Executive Course - ISEG), tem-se dedicado nos últimos anos ao Human-Centered Design (IDEO.org) e ao estudo das emoções na experiência digital.

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