Arte, AI e cultura digital: NFC Summit regressa a Lisboa
Entre arte imersiva, inteligência artificial, cultura pop japonesa e debates sobre o futuro do dinheiro, o NFC Summit regressa a Lisboa de 4 a 6 de junho para aquela que promete ser a sua edição mais ambiciosa de sempre.
Depois de quatro edições focadas sobretudo no universo NFT e Web3, o evento muda de escala, e também de identidade. Este ano, o NFC Summit instala-se pela primeira vez na Unicorn Factory Lisboa, no Beato Innovation District, assumindo-se como um verdadeiro festival cultural e tecnológico, onde o digital deixa de ser apenas tema de conferência e passa a ser experiência.
Mais do que um encontro para entusiastas de blockchain, o NFC quer agora cruzar diferentes comunidades criativas: artistas, developers, investidores, músicos, gamers, colecionadores e curiosos. Tudo no mesmo espaço.
Um festival onde a arte deixa de estar “ao lado”
A grande novidade desta edição é precisamente o peso da arte digital na programação. Pela primeira vez, as exposições e instalações assumem o centro conceptual do festival, ocupando galerias, contentores, palcos e espaços industriais da Unicorn Factory.
Entre os artistas já confirmados estão nomes como Vhils, que vai apresentar uma instalação inédita, além de criadores reconhecidos no universo da arte generativa e NFT como Kim Asendorf, Jeff Davis, Grant Yun e o coletivo BOTTO, um dos projetos de arte algorítmica mais falados dos últimos anos.
O summit vai ter ainda experiências imersivas, esculturas LED monumentais, performances ao vivo e várias galerias temporárias espalhadas pelo recinto.
Muito além da blockchain
Apesar de continuar ligado ao universo Web3, o NFC Summit expandiu-se para temas muito mais amplos. A agenda deste ano inclui oito grandes áreas paralelas, cada uma com identidade própria.
Uma delas é o Stablecoin Day, dedicado ao futuro do dinheiro digital, pagamentos e novas infraestruturas financeiras. Outra é o Longevity Day, focado em saúde, ciência e aumento da esperança média de vida, que reúne investigadores, médicos, investidores e startups da área.
Entre os convidados já anunciados para esta área estão Molly Maloof, médica e especialista em otimização da saúde ligada a Stanford, Sebastian Brunemeier, investidor em biotecnologia e longevidade, e Yves Beraerts, neurocientista associado à Champalimaud Foundation.
Outro dos espaços mais inesperados é o Kawaii Summit, dedicado à cultura pop japonesa, colecionáveis, trading cards e universos visuais inspirados em anime e gaming.
A inteligência artificial também vai ter um lugar de destaque através dos ACAI Days, uma série de masterclasses e workshops sobre criatividade assistida por AI, e de uma maratona de desenvolvimento chamada VIBE-A-THON, uma hackathon de 24 horas onde artistas, programadores e até iniciantes vão poder criar projetos recorrendo a ferramentas de inteligência artificial.
Uma nova geração de eventos tech
Ao contrário das conferências tradicionais, o NFC Summit parece querer aproximar-se mais de um festival urbano. Em vez de auditórios formais e talks sucessivos, a proposta passa por experiências participativas, instalações abertas, networking informal e programação híbrida entre cultura e tecnologia.
A organização espera milhares de participantes de dezenas de países, num evento que reflete uma tendência cada vez mais evidente: o cruzamento entre tecnologia, entretenimento, arte e comunidades digitais.
Mesmo para quem nunca comprou um NFT ou entrou no mundo crypto, o NFC Summit pode ser uma boa oportunidade para perceber como estão a evoluir as novas formas de criatividade, identidade e cultura online, e porque é que Lisboa continua a afirmar-se como um dos principais pontos de encontro europeus para estas comunidades.

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