Das comunidades virtuais para as redes e media sociais

Hoje fala-se muito de comunidades virtuais, mas o conceito não tem nada de novo e a ideia inicial até era simples: unir utilizadores em torno de um tema, um conceito que depressa se confundiu com os chamados “portais verticais” como é o caso do ivillage.com (portal temático feminino), da ZDNet e da Cnet (portais temáticos sobre tecnologias) ou até mesmo do GameSpot e do Gamespy (portais temáticos de jogos).

E foi precisamente nestes “portais verticais” que começaram as primeiras comunidades interactivas.  Aqui o utilizador participa nos conteúdos com a possibilidade de comentar ou classificar um determinado artigo, participar em fóruns e chats.

Na verdade, estas primeiras interactividades desde logo transformaram os utilizadores em criadores de conteúdos. Em 1999, em Las Vegas, assisti ao lançamento de um dos primeiros projectos de rede social (Social Network), o ecircles.com. Este site permitia aos utilizadores partilhar fotos e mensagens com os seus amigos e colegas de trabalho, criando círculos de comunicação. Talvez por ter surgido cedo demais (como aconteceu com muitos outros sites), o ecircles.com não resistiu, e desapareceu com o estoirar da “bolha”, a 15 de Abril de 2001.


eCirclesIMPORTANT NOTICE TO MEMBERS

I regret to inform you that the eCircles.com web site will permanently shut down on April 15, 2001 and will no longer be available thereafter. The market downturn of the last 12 months made it increasingly difficult to cover the costs of operating the eCircles site.

We truly appreciate your patronage over the last several years and we hope you’ll continue to find ways to stay connected with your friends and families.

Sincerely,

Prescott Lee
President & CEO
eCircles.com

No ar tinha ficado, no entanto, a certeza de que as redes sociais tinham futuro e que, mais cedo ou mais tarde, seriam definitivamente uma aposta ganhadora, e não foram precisos muitos anos para que estas voltassem a surgir, designadas como web 2.0, potenciando o típico ambiente colaborativo com uma tendência de crescimento exponencial que claramente atesta que foram uma aposta ganha.

Com o evoluir da tecnologia e das plataformas multimédia, os diários deixaram de ser trancados à chave para passarem a ser blogues, os vídeos e fotos deixaram de ser partilhados apenas com a família para serem partilhados com o mundo, e muitos destes projectos de redes e medias sociais passaram a constar nos rankings de audiências.

É inquestionável o sucesso de projectos como o Myspace.com, Facebook, Hi5, Orkut, Linkedin, Plaxo, Twitter entre outros. Existem mesmo blogues que são actualmente referências na informação mundial, alguns até mesmo com maior audiência do que sites de grupos de comunicação social. Isto “forçou” alguns media a tornarem-se também “medias sociais” e a darem eles próprios espaço aos seus utilizadores, disponibilizando ferramentas de blogues, para que possam beneficiar (d)a sua audiência.

Contas feitas, os conceitos de comunidades, redes e medias sociais começam hoje a esbater-se para dar lugar a projectos integrados “3 em 1” (como é o caso por exemplo, do Myspace.com).

Este “tricot” na rede das redes ainda está no principio e a única dúvida é saber qual o próximo “nó” e quem vai lá estar… pode não ser nenhum dos actuais “gigantes” da Web.

Nuno Ribeiro
Nota: Artigo publicado no jornal Meios & Publicidade de 11/07/2008

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