“Fast forward” substitui “zapping” na TV

No final do mês passado, a Nielsen divulgou um estudo onde revela que, neste momento, quase um terço dos lares norte americanos possui DVR – Digital Video Recorder (gravadores digitais de vídeo). Não há dados disponíveis sobre o mercado português, mas não é difícil de adivinhar que ainda estamos longe de chegar a um terço dos lares, como nos EUA.

Ainda assim, é perceptível, o aumento dos alugueres das ZON BOXMEO BOX ou TV BOX do Clix e o aumento de vendas de computadores com Windows Media Center/Vista nos últimos meses.

A cada vez maior utilização destes equipamentos, leva-nos a reflectir sobre os hábitos de consumo de conteúdos de TV em formato broadcast e, consequentemente, no modelo de publicidade em TV.
Uma das conclusões do estudo da Nielsen, é que os DVRs aumentaram o consumo de conteúdos TV/Vídeo pela conveniência de poder decidir o que ver e quando.

Com isso, há dois impactos imediatos:
– O fim do prime time (não preciso de estar junto à TV no momento em que está a ser difundido o programa).

– Os blocos publicitários passam a ser vistos em fast forward.

Os equipamentos vão continuar a evoluir e vale a pena perceber as funcionalidades, por exemplo do TIVO e AppleTV, para concluir que a convergência de Meios é já uma realidade.

A integração de serviços de TV, vídeo (On Demand), música, PodCast, VideoCast, fotos,… e a sincronização de conteúdos entre diferentes dispositivos como o iPod, PC ou Playstation Portable é o desafio do momento para os Editores, Meios, Agências e Anunciantes repensarem os modelos de negócio e estratégias de comunicação.

Por exemplo, é previsível o aumento de product placement, que na plataforma Internet pode ser acrescida de uma experiência interactiva permitindo o clique para se obter mais informações sobre o produto ou serviço.

A quota de investimento de publicidade no tradicional spot TV vai diminuir e redistribuir-se pelos restantes meios, sobretudo a Internet, dando protagonismo aos formatos de criatividade rich media, ao In-game Advertising e à publicidade intercalada com os vídeos on-line que terão maiores taxas de crescimento, pois são formatos que garantem maior envolvência com a marca, maiores índices de reconhecimento, notoriedade e com isso maior fidelização e retorno dos investimentos em publicidade.

Os anunciantes e agências vão deixar de analisar apenas o GRP (gross rating point) e taxa de click, para passarem a analisar também “tempo de exposição” ou “interacção com a publicidade” (nº de vezes em que o anúncio foi expandido, quantos clicks no play, pause, stop,…), número de subscritores do podcast/videocast,… e novos indicadores que serão específicos de cada formato criativo e plataforma.

Nuno Ribeiro

Nota: Artigo publicado no jornal Meios & Publicidade de 22/05/2009

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