Amazon: novas lojas físicas para dominar no online

A Amazon está a demonstrar que o futuro do retalho passa por um continuum entre o online e o offline. A gigante do e-commerce prepara-se para criar uma rede de lojas físicas, como complemento e exclusiva ao seu serviço Amazon Fresh, através da qual os clientes podem ir recolher produtos alimentares, como leite e carnes, que encomendaram on-line – mas também fazer encomendas de outros items, através do smartphone ou touchscreens nas lojas, com entregas no próprio dia.

A empresa de Jeff Bezos está também a criar uma rede de drive-in’s onde os clientes podem, igualmente, “apanhar” os produtos que encomendaram online, tendo em vista o desenvolvimento de um equipamento que identifica a matrícula do carro do cliente, de forma a reduzir ao máximo os tempos de espera e, assim, melhorar a experiência do utilizador.

Lojas físicas para dominar no online

Para dominar completamente no e-commerce, a Amazon tem vindo a criar uma grande infraestrutura no mundo real: possuiu camiões para entregas, aviões de carga, está a testar drones que farão entregas à porta, tem uma livraria em Seattle e agora quer abrir lojas de conveniência – que serão uma grande promoção ao serviço Amazon Fresh, com potencial de funcionar como centros de distribuição.

Com esta estratégia, a Amazon quer, claramente, dominar na compra online de produtos alimentares, até porque, hoje, a grande maioria das compras deste tipo de produtos ainda ocorre em estabelecimentos tradicionais, como a Walmart. Este é um reposicionamento da Amazon depois de ter investido, primeiramente, na entrega de alimentos frescos, enfrentando a concorrência da Google (Google Express), Instacart ou FreshDirect.

À medida que esta competição aumenta no mercado dos produtos alimentares online, a Amazon decidiu diminuir o valor do programa Amazon Fresh (de cerca de 24,9 dólares/mês para 14,99 doláres/mês) para os membros do Amazon Prime.

Vantagem do novo modelo de preços

Desta forma, o novo modelo tarifário poderá incentivar os atuais membros do Amazon Prime a utilizar o serviço Amazon Fresh, mas também o inverso: atrair mais subscritores ao Amazon Prime, o que é cada vez mais importante para a Amazon, uma vez que os membros do Prime gastam mais 1.200 dólares, em média anualmente, do que os não-membros (500 dólares por ano, em média).
Além disso, as novas lojas físicas, que nascem sob alçada do designado “Projeto Como”, também ajudarão nesta missão, atraindo clientes que preferem ir buscar os produtos pessoalmente ou não estão interessados nas entregas ao domicílio.

A Amazon disponibiliza, desde 2007, o serviço Fresh em áreas com maior densidade populacional nos Estados Unidos, mas tem estado a expandir rapidamente este serviço: o seu portfólio conta agora com Seattle, Nova Iorque, Washington, Boston, norte de Nova Jersey, Filadélfia, Stanford, Baltimore, grande parte da Califórnia, Dallas e, recentemente, Londres.

A “ingressão” da Amazon no mundo offline começou com a abertura de uma livraria em Seattle, à qual deverão suceder outras em cidades como San Diego, Nova Iorque, Portland e Chicago. Durante a Code Conference, Bezos admitiu que as livrarias físicas se tratavam de experiências e que se enquadravam com a filosofia de falhar para inovar da empresa.

“Acredito que somos o melhor local do mundo para falhar (temos imensa prática!), o falhanço e a invenção são gémeos inseparáveis”. “A grande maioria das grandes organizações adota o conceito de invenção, mas não estão dispostas a sofrer as sequências de experiências falhadas para lá chegar”.
Jeff Bezos, CEO Amazon.

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