Samsung entra na “corrida” da inteligência artificial

As gigantes tecnológicas estão a alinhar as suas estratégias tendo como ponto central a inteligência artificial (IA). A Samsung quer juntar-se a este grupo e acaba de adquirir a Viv Labs, criadora do Viv, uma plataforma de inteligência artificial desenvolvida pelos criadores da Siri (comprada pela Apple em 2010), Dag Kittlaus, Adam Cheyer e Chris Brigham. A compra é uma aposta inteligente que coloca a empresa sul-coreana a competir com empresas como Apple, Google, Amazon ou Microsoft, que estão a investir fortemente no domínio da IA.

Os fabricantes de dispositivos precisam de se tornar fornecedores de tecnologia de assistentes virtuais, o que inclui um software específico, de forma a manter o “controlo” em relação às empresas over-the-top.

A aquisição pode ajudar a Samsung em várias frentes, nomeadamente:

  • Manter-se relevante no mercado de smartphones, uma vez que a Google anunciou que o seu assistente virtual (Google Assistant) não iria ser incluido nos updates aos Android 7, o que deixa a Samsung com um produto sem a componente de inteligência artificial que está a ganhar um papel central nos smartphones.
    Este pode ser também um fator relevante para a Samsung tentar recuperar da quebra de 2,3 mil milhões de dólares em lucros, depois de se ver “obrigada” a interromper a produção dos Galaxy Note 7 (dado que as baterias do smartphone explodiam).
  • Reforçar o software. A Samsung está a adicionar um vasto leque de funcionalidades aos seu software e, com a Viv, poderá tornar-se mais competitiva. O sistema de pagamentos mobile Samsung Pay, por exemplo, será um dos potenciais serviços impulsionados pela integração de um assistente virtual.
  • Dar seguimento aos esforços para transformar o sistema operativo Tizen numa plataforma competitiva. O Viv deverá tornar-se no interface principal que conecta o portefólio diversificado de dispositivos da Samsung: desde smartphones, TVs inteligentes, smartwatches e dispositivos ligados a casas inteligentes. Com o Viv, a tecnológica adquire um maior control sob o que está “a correr” nos seus smartphones, dependendo menos do Android. Isto é essencial para que o sistema operativo Tizen se possa equiparar às maiores plataformas.

Por outro lado, a elevada quota de mercado da Samsung no âmbito dos smartphones oferece à Viv um bom ponto de partida para o desenvolvimento da sua plataforma de inteligência artificial, uma vez que a IA “vive” de quantidades massivas de updates constantes dos dados dos utilizadores – e, neste momento, os smartphones são a fonte mais rica de fornecimento de dados sobre os utilizadores.

A aquisição dará à Viv Labs um território fértil para fazer crescer os seus bancos de dados, tornando o Viv cada vez mais poderoso e, eventualmente, com a força necessária para competir à altura das plataformas de inteligência artificial existentes. A grande vantagem do Viv é o fato de escrever código sozinho e de ser capaz de captar informações distintas de diferentes aplicações, o que lhe permite dar resposta a pedidos complexos como:

“Arranja-me um voo para Dallas num lugar adequado para o Shaq”

Para além de fazer uma pesquisa por voos para Dallas, tendo em conta a localização do utilizador, o Viv tem de apurar que Shaq é a abreviatura do antigo jogador de basquetebol Shaquille O’Neal e descobrir qual a sua altura, numa fração de segundos.

Dag Kittlaus, cofundador e CEO da Viv, desvendou as razões que levaram a empresa a trabalhar com a Samsung, dando o seu parecer sobre o futuro da inteligência artificial.