Ctrip adquire Skyscanner

A aquisição de agregadores/sites de metapesquisa por parte de agência de viagens online é uma das tendências que tem marcado o setor: a Expedia, por exemplo, comprou o Trivago (que vai entrar em bolsa) e a Priceline comprou o Kayak. A mais recente aquisição foi feita pela maior empresa chinesa de viagens online, Ctrip, que acaba de comprar o Skyscanner, por 1,7 mil milhões de dólares.

Este é, nitidamente, um posicionamento estratégico da Ctrip em busca de uma expansão global. A empresa já é um gigante na China (detém mais de 40% do mercado e processa 70% das viagens online no país) e com a compra da startup britânica Skyscanner, que  já detém uma fatia interessante do mercado, adquire um legado geográfico mais vasto internacionalmente (Skycanner está disponível em 30 idiomas).

Escala, poder da marca e tecnologia são três dos “ingredientes” do Skyscanner que agradaram a Ctrip, mas este negócio assenta, sobretudo, na componente tecnológica. O Skyscanner demonstrou a sua astucia ao construir um site de meta pesquisa da forma mais difícil: construindo ligações diretas com os fornecedores desde cedo, uma vez que está a operar num mercado europeu fragmentado.

O CEO do Skyscanner, Gareth Williams, explicou que a venda à Ctrip coloca o Skyscanner mais perto do objetivo de tonar mais simples o acto de viajar, representando uma oportunidade para fornecer novas ferramentas aos 1,2 mil milhões de pessoas que viajam por todo o mundo.

É expectável que esta compra seja um facilitador na captação de investimento do Skyscanner e o facto da Ctrip ser um investidor minoritário da Priceline e partilharem inventário coloca o Skyscanner em melhor posição para competir com o Trivago na área de hotéis. Além disso, a startup britânica poderá aproveitar, a curto prazo, o crescimento do financiamento para investir em marketing e publicidade e reforçar a força da sua marca.

Esta tendência de fusão entre agências de viagens online e agregadores poderá ainda, eventualmente, tornar o TripAdvisor num target de aquisição mais apetecível, uma vez que a plataforma adota um modelo que tanto permite comparar a oferta de diferentes sites, como também fazer, diretamente, reservas.

Outras fusões entre gigantes, como a da Ctrip com o site líder na China na venda de bilhetes de avião Qunar (que era controlada pela gigante chinesa da Internet Baidu) demonstram alguma consolidação da indústria de viagens online. No caso da fusão entre a Ctrip e a Qunar vemos dois gigantes, como são a Expedia ou a Priceline, a unir-se para ganhar acesso a mais mercados e este é um tipo de fusão que poderá ocorrer com maior frequência, uma vez que esta é a melhor forma de conseguir obter as melhores taxas por parte dos hotéis e das companhias aéreas, bem como captar a atenção dos consumidores.

 

 

 

 

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