YouTube TV: Vai começar a corrida à live TV…

  • A Google vai lançar um novo serviço de streaming de TV. Através da YouTube TV, a empresa está a preparar-se para rentabilizar a base sólida de utilizadores do YouTube e captar mais receitas em publicidade.
  • À medida que os fornecedores de cabo apostam em ofertas on-demand e os distribuidores over-the-top investem mais em conteúdos de TV,  os silos da TV tradicional e dos serviços on-demand estão a dissipar-se.

Já aqui dissemos que na Era digital o conteúdo continuará a ser Rei e que os players de  TV overt-the-top estão a posicionar-se para captar estes ativos e enriquecer os seus serviços de streaming… a corrida à live TV vai começar!

A Google vai lançar a YouTube TV com o seu serviço de streaming Unplugged (35 dólares/mês), que incluirá, para já, a ABC, NBC, Fox e CBS e canais por cabo afiliados como a ESPN, Disney Channel, MSNBC, National Geographic e Fox News. Estes conteúdos serão distribuídos juntamente com os conteúdos nativos do YouTube, integrando o serviço pago – com conteúdos originais de música, séries, etc. – YouTube Red (ainda não está disponível em Portugal).

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Quais as vantagens competitivas da YouTube TV?

  • Poder dos dados – Cada subscrição do novo serviço de streaming permite a existência de 6 contas associadas, cada uma com recomendações personalizadas de conteúdos – graças aos algoritmos de inteligência artificial da Google – e armazenamento de gravações ilimitado. Além disso, a Google recolhe uma quantidade massiva de dados que permitem uma elevadíssima segmentação dos anúncios mostrados aos subscritores da YouTube TV, sendo um chamariz para os anunciantes.
  • Infraestrutura consolidada – a YouTube TV beneficiará de uma infraestrutura de vídeo digital na qual tem vindo a ser feito um grande investimento, o que favorece o fornecimento de um serviço de vídeo over-the-top de elevada qualidade. (consequência: os serviços concorrentes vão ter de investir mais na equipa tecnológica para competir com a Google)
  • Captação dos subscritores do YouTube Red? – o serviço YouTube Red permite aceder a diferentes conteúdos sem interrupções publicitárias, mas na YouTube TV, o YouTube Red incluirá publicidade. E isto poderá levar os subscritores do YouTube Red a subscrever a YouTube TV, uma vez que esta possui um leque mais vasto de conteúdos que podem justificar a tolerância dos utilizadores aos anúncios.
  • Reinventar a TV para millennials – o Youtube é o site de vídeos mais popular do mundo e poderá aproveitar o novo serviço de streaming de TV para rentabilizar a sua  base sólida de utilizadores, à medida que estes ganham maior poder de compra.

Como diz Larry Page, a Google não é uma empresa convencional e não se foca na rentabilidade a curto prazo. E por isso, para já, está mais preocupada em melhorar a experiência do utilizador neste novo serviço:

The approach we’ve taken with all new products is looking at: Are we solving a real problem? Is this something we care about? And if we are successful, will it make a difference?” – Susan Wojcicki, CEO do YouTube.

Silos dissipam-se…

À medida que os fornecedores de cabo apostam em ofertas on-demand (AT&T com DirecTV Now; a Dish com a Sling TV, etc.)  e os distribuidores over-the-top investem mais em conteúdos de TV (Hulu, Amazon, YouTube…), os silos da TV tradicional e dos serviços on-demand estão a dissipar-se.

Uma vez que melhoram a experiência do utilizador e aceleram a inovação na indústria de TV, as empresas tecnológicas estão bem posicionadas para entrar neste negócio, embora as negociações com a indústria de entretenimento nem sempre sejam fáceis. A Apple, por exemplo, teve algumas dificuldades em captar conteúdos para o suposto serviço de streaming de TV que estava a preparar. A Hulu (detida pela Disney, Comcast, Time Warner e 21st Century Fox), no entanto, está a implementar a mesma estratégia que tudo indica a Apple estaria a planear, pelo que a compra da Hulu pode ser uma das opções em cima da mesa para a Apple.

O facto de as tecnológicas estarem a invadir o território dos media, produzindo conteúdos, disponibilizando as suas plataformas de distribuição e captando publicidade, tornará cada vez mais difícil a vida às empresas de media que não alarguem e diversifiquem os seus modelos de negócio.

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