Reverse mentoring, uma alavanca simples e eficaz para a transformação digital

  • O Reverse Mentoring representa uma das alavancas mais simples e eficaz de implementar e que pode ser bastante benéfica para a transformação digital de uma empresa.
  • Esta é a ferramenta ideal para aproximar as gerações através do Digital, em vez de as distanciar; ultrapassar o gap digital entre as gerações; e uma oportunidade para transformar os executivos com maior experiência em silver surfers, estimulados pelo desejo de descobrir e aprofundar a utilização do Digital.
  • Orange, Danone, IBM, General Electrics ou SNCF, que popularizaram esta abordagem na década de 90, estão entre o vasto leque de empresas bem sucedidas.

Anaïs Dumont

Artigo de Anaïs Dumont, Change Maker no FABERNOVEL INSTITUTE Paris

O Reverse Mentoring é a solução para orientar uma empresa no processo de transformação digital, com a ajuda das competências dos colaboradores mais jovens. O FABERNOVEL INSTITUTE acompanha as empresas ao longo deste processo para sustentar a criação de tal vínculo transgeracional.

Na mitologia grega, Mentor era o tutor do filho de Ulisses, Telémaco, um conselheiro experiente, velho e sábio que oferecia uma aprendizagem clássica.

Em 2017, o Reverse Mentoring muda tudo.

Este é um processo de aprendizagem intergeracional inovador e conectado –  como os nativos digitais envolvidos no mesmo – e uma alavanca simples e eficaz para a transformação digital das empresas. Através deste método, um diretor experiente recebe formação de um colaborador jovem sobre temas tão vastos e intimidantes para os baby boomers, tais como o domínio de utilização  das redes sociais ou o Big Data. Esta é a ferramenta ideal para aproximar as gerações através do Digital, em vez de as distanciar; ultrapassar o gap digital entre as gerações; e uma oportunidade para transformar os executivos com maior experiência em silver surfers (utilizadores frequentes de Internet com idade superior a 64 anos), estimulados pelo desejo de descobrir e aprofundar a utilização do Digital. Tal é confirmado por um aumento, em 80%, da participação de utilizadores do Facebook com mais de 55 anos, entre 2011 e 2014.

Para o FABERNOVEL INSTITUTE, o Reverse Mentoring é, sobretudo, o catalisador mais simples de implementar e amplamente benéfico na transformação digital da empresa como um todo.

E exemplos de programas bem-sucedidos não faltam, entre os quais estão a Orange, Danone, IBM, General Electrics e SNCF, que popularizaram esta abordagem na década de 90.

Os nossos primeiros programas internos de Reverse Mentoring foram implementados na Bel e na Pierre Fabre e na Jaeger-LeCoultre levamos à cabo o Digital Compagnons, um programa de formação, leccionado pelos Change Makers do FABERNOVEL INSTITUTE, para um Reverse Mentoring externo.

“O Digital Compagnons permitiu-me trocar ideias com executivos séniores de diferentes backgrounds sobre temas fascinantes (redes sociais, métodos de trabalho e big data). Tive a oportunidade de estar num ambiente privilegiado que me permitiu compreender os desafios que estes executivos enfrentam nos seus negócios e setores de atividade” – François Truong, Senior Change Maker do FABERNOVEL INSTITUTE e Digital Compagnon da Pierre Fabre.

De um modo geral, tendo uma equipa com uma média de 28 anos de idade e  especializada nos desafios de aculturação digital, o Reverse Mentoring é algo que faz parte da nossa identidade.

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Uma vez que se trata, sobretudo, de oferecer uma forma inovadora de aprender sobre o Digital, trabalhamos para tornar os nossos ateliers tão disruptivos quanto os temas que tratamos. Aqui, utilizamos diferentes conjuntos de cartas para os ateliers da Orange Lab ou para o programa de  Reverse Mentoring da Bel ou para o Digital Banking Community do BNP Paribas.

Para o FABERNOVEL INSTITUTE, o Reverse Mentoring representa, por isso, a convicção de que a aprendizagem passa por uma experiência lúdica e inspiradora. Embora o Reverse Mentoring seja simples, são necessárias algumas precauções para garantir o sucesso do programa na sua empresa.

1) Uma preparação minuciosa

O conteúdo do programa deve ser relevante e adaptado à audiência e aos  promotores. A chave do sucesso é garantir que os formadores estão confortáveis com os temas abordados e que são capazes de responder a qualquer pergunta, de forma a oferecer uma experiência fluída aos formandos. O nosso guia do Mentor, criado no âmbito do Reverse Mentoring da Bel, inclui os 10 mandamentos a seguir para se tornar um bom formador: “A troca que deve ser estabelecida”, “As notícias que deve acompanhar”, a “A gíria que deve explicar”, entre outros.

Para institucionalizar o programa e criar maior valor à proposta dos jovens mentores, recomendamos também a organização de uma reunião antes das sessões de mentoring. Na Bel, por exemplo, organizámos uma festa de lançamento, durante a qual as duplas puderam interagir de forma   informal.

2) Um espaço de partilha privilegiado

Benevolência, curiosidade e empatia são as palavras-chave para um programa de Reverse Mentoring bem sucedido.

O objetivo é construir uma relação de confiança e um ambiente propício à aprendizagem, pelo que os nossos programas têm um mínimo de 5 sessões e cada aprendiz é seguido por um único mentor, de forma a criar um   relacionamento favorável à aprendizagem.

A dupla vantagem desta abordagem é evidente: o aprendiz tem a oportunidade de fazer as perguntas que nunca ousou colocar e de (re)descobrir uma geração afetada pelas suas decisões. E, assim, obtém informação em primeira mão, que descodifica a gíria impessoal sobre diferentes temas que poderia encontrar on-line.

Para os jovens mentores, o benefício pode ser menos óbvio, mas não menos importante: sentem-se imediatamente úteis, valorizados e integrados na empresa, numa altura em que a relação entre millennials – a geração nascida entre 1980 e 2000 – e o mundo do trabalho está em plena transformação.

No entanto, para que estes benefícios se comprovem é necessário criar um ambiente caracterizado pela agilidade, curiosidade e desejo de renovar a empresa como um todo. Casos de insucesso na implementação do Reverse Mentoring, prendem-se, muitas vezes, com um contexto inadequado: o tempo dedicado ao programa foi insuficiente, cancelamento de reuniões, falta de acesso às redes sociais dentro da empresa, etc.

3) Avaliar o impacto

As empresas devem garantir que a direção está fortemente comprometida com os programas de Reverse Mentoring, de forma a serem bem-sucedidas.

Nós damos especial atenção ao acompanhamento dos programas de Reverse Mentoring, uma vez que a missão do grupo FABERNOVEL é impulsionar uma profunda transformação das empresas. Este acompanhamento é essencial para maximizar o impacto dos benefícios, promover a transição digital, impulsionar a liderança dos jovens colaboradores e conceder maior autonomia à empresa no que toca à formação em novas tecnologias. Além disso, importa definir previamente os indicadores-chave do sucesso, quantificar dos resultados (questionários de satisfação, etc.) e a envolver e convencer o resto da empresa.

Não nos podemos esquecer de que a geração Z está prestes a ultrapassar, em número, outros grupos geracionais, em 2020. É urgente estimular as competências de liderança e de gestão desta próxima geração de líderes, visto que 87% dos executivos acreditam que ainda não possuem competências apropriadas para o mundo do trabalho.

Além de representar para os líderes uma oportunidade de obter formação sobre as novas tendências, o Reverse Mentoring é um verdadeiro cálice de rejuvenescimento para a cultura empresarial do negócio.