A supremacia do mobile é inquestionável. No e-commerce, espera-se que as vendas através do smartphone atinjam mais de 3 biliões de dólares em 2021 e quase 3 em cada 4 dólares gastos online são gastos através de um dispositivo móvel.
Mais do que um canal, o mobile é um estilo de vida. As marcas perceberam isto e estão a transformar o mobile numa infraestrutura de experiências únicas para os clientes. Os smartphones estão a transformar a experiência na loja e a criar uma nova relação com os consumidores, particularmente à distância, durante a pandemia. Na China, o livestreaming deverá representar 20% do e-commerce em 2022, ou seja, 400 mil milhões de dólares, em comparação com 66 mil milhões de dólares em 2019.
Os clientes desfrutam de um serviço personalizado prestado por um vendedor, enquanto fazem compras a partir do conforto da sua própria casa. Resta saber se o papel do vendedor se tornará mais especializado, com o surgimento de especialistas em livestreaming, ou mais versátil, com a capacidade de envolver clientes tanto offline como online.
Com a pandemia, as lojas físicas reinventaram-se. Foi o caso da Burberry que abriu, em Shenzhen, na China, a primeira loja de “retalho social” no mundo do luxo.
O espaço de 538 m2 está dividido em 10 salas que os consumidores podem explorar pessoalmente ou virtualmente nos media sociais. Através de um mini programa (uma espécie de sub-aplicação) dentro da Super App Wechat, desenvolvido em parceria com a Tencent, os clientes ganham uma moeda social virtual à medida que visitam a loja. Esta moeda dá acesso a conteúdos exclusivos e experiências personalizadas. A gamificação vai ainda mais longe, pois a cada cliente é dado um animal digital que evolui e interage com as experiências na loja. As colecções têm códigos QR associados aos quais os clientes podem fazer o scan para descobrir mais informações.
Esta iniciativa mostra o peso crescente do social na experiência de luxo, especialmente na fase de inspiração e revela também a interdependência de serviços sociais, de pagamento, de compras e de milhares de outros serviços dentro das “super Apps” chinesas. Estas aplicações são parceiras na nossa vida quotidiana e também servem de interface para interagir com o mundo real. No caso desta loja da Burberry, trata-se de fazer com que a experiência de compra seja perfeita entre o online e o offline.
No final de 2020, a Pinduoduo ultrapassou a Alibaba e tornou-se a maior plataforma de e-commerce da China, com 788 milhões de compradores ativos (a Pinduoduo foi fundada em 2015 e a Alibaba em 1999.)
Uma das chaves do sucesso meteórico da Pinduoduo é ter apostado na venda de produtos do dia-a-dia. Por exemplo, os clientes podem girar uma roda virtual que lhes dá acesso a cupões válidos apenas por algumas horas. O aspeto social é também central. O nome Pinduoduo significa “Juntos, Mais Poupança, Mais Diversão”. Esta é uma descrição perfeita da proposta de valor da empresa: compras em grupo, intrinsecamente sociais, de produtos comuns, tais como fraldas ou produtos domésticos. Quantos mais compradores são adicionados ao grupo, mais baixo é o preço da encomenda.
A chave do sucesso é também a integração da Pinduoduo no ecossistema WeChat. A plataforma percebeu rapidamente o potencial do seu mini-programa e promoveu-o fortemente. Assim, o seu custo de aquisição de clientes é em média de apenas 2 dólares, em comparação com 39 dólares e 41 dólares, para os seus concorrentes JD.com e Taobao. Esta fusão entre uma aquisição viral e a experiência de compra viciante permitiu que a Pinduoduo se tornasse maior do que o eBay em apenas quatro anos.
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