Theranos: a mentira que valeu milhões

Quem já trabalhou em publicidade, terá certamente ouvido dizer que “a publicidade é a arte de estender a verdade até ao limite da mentira”. Para este weekend trago-vos a história de uma startup que é o inverso, ou seja, “a arte de estender a mentira até ao limite da verdade”. O limite, que nos dois casos, não se pisa, não se ultrapassa… que no primeiro caso se admira 🥰  e no segundo nos deixa incrédulos 😮  e desiludidos 😢 .

Considerada uma das startups mais promissoras da Silicon Valley, apelidada de “Apple da saúde”, a promessa da Theranos fez brilhar muitos olhos e hipnotizou empresas, investidores, jornalistas, políticos como Rupert Murdoch, Bill Clinton ou Joe Biden.

Criada em 2003 por Elizabeth Holmes, na altura com 19 anos e no segundo ano de química da universidade de Stanford, a Theranos tinha a mais simples das promessas e o mais difícil dos desafios: com apenas uma gota de sangue é possível fazer mais de 1000 análises, em pouco tempo e a baixo custo.

Ao cumprir a sua promessa, a Theranos antecipava uma revolução na indústria da saúde, abrindo um enorme espaço para medicina preventiva, tornando-a acessível a todos, quase democratizando-a. Seria possível antecipar doenças e salvar vidas! A visão de Elizabeth Holmes não passou de uma promessa disfarçada de inovação, fechada a sete chaves num laboratório ao qual ninguém tinha acesso, numa empresa carregada de acordos de confidencialidade e liderada debaixo de uma cultura de medo.

Depois de duas tentativas falhadas de parceria com a Indústria farmacêutica (Pfizer e Novartis), a empresa ainda consegue fechar um contrato com a cadeia de farmácias Walgreens, permitindo fazer análises diretamente nas farmácias. Em 2015, a sua fortuna chegou a ser avaliada em 4,5 mil milhões de dólares, mas um ano mais tarde o sonho começa a desmoronar-se com uma investigação do Wall Street Journal. Em 2018 a Theranos é encerrada. Elizabeth Holmes é condenada, no início deste ano, a 4 das 12 acusações, cada uma das quais pode valer 20 anos de prisão.

Para conhecer toda a história, recomendo-lhe The Inventor, um documentário da HBO.

Se preferir conhecer a história em modo série, vale a pena ver The Dropout que estreou recentemente na Disney+, com Amanda Seyfried no papel de Elizabeth Holmes.

Ou ainda… esperar para ver em modo filme a ser produzido pela Apple TV+, baseado no livro Bad Blood e com estreia prometida ainda este ano.

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Sandra começou a sua carreira como jornalista na rádio e na televisão, mas depois de 7 anos nos media, dirige-se para a área digital como directora de serviço a clientes, passando pela Absolut System, OgilvyInteractive, OgilvyOne MSTF Partners, GreyGroup e Start. Na FABERNOVEL desde a sua criação em Portugal, tem-se dedicado ao estudo do Design Thinking e das metodologias utilizadas pelas startups. Apaixonada pelo impacto da tecnologia no comportamento humano, estudou também psicologia na Université Paris 8.