Se pouco ou nada ouviu falar de Whitney Wolfe Herd é a prova de que o mundo das empresas tecnológicas é dominado por homens. Whitney foi a primeira mulher a fazer um IPO enquanto fundadora de uma startup, a mais jovem e a primeira a tornar-se bilionária. Mas este é apenas o final da história que inspirou “Swiped”, o novo filme disponível na Disney+.
A história remonta ao início da carreira de Whitney, quando se junta à fracassada startup Cardify da qual nasce a ideia de fazer a MatchBox uma app de dating (encontros) que se viria a tornar o Tinder.
Apesar de a história estar muito centrada na constante discriminação das mulheres que começa com o facto do Whitney Wolfe não ser assumida como co-fundadora e acaba com uma saída do Tinder traumática marcada por assédio e disputas legais, Swiped fez-me refletir sobre muitos ensinamentos que destaco neste We Love.
Na perspetiva de negócio, é interessante observar o “pivot” da Cardify para o Tinder, a importância da escolha de um segmento-alvo no arranque de um negócio (neste caso os jovens universitário) e o recurso ao marketing de guerrilha (cada vez mais esquecido na criação de produtos digitais).
Na perspetiva de design, a importância de um UX (user Experience) e um UI (User Interface) alinhados com a intenção, o famoso swipe para a direita para aceitar e o swipe para a esquerda para descartar. E sobretudo, nunca ignorar as necessidades dos utilizadores e os sentimentos negativos. Ignorar os apelos das utilizadoras que se queixavam de assédio na app, acabou mesmo por revelar-se um erro estratégico para o Tinder e a grande oportunidade para a Bumble (a seguir fundada por Wolfe) que apostou tudo num princípio fundamental: as mulheres dão o primeiro passo.
Swiped é também uma história inspiradora de liderança focada num objetivo maior, que retrata várias fases de aprendizagem. A primeira fase é a da capacidade de mobilização, a segunda a ascensão, a terceira (depois da queda) a capacidade de recomeçar do zero, a quarta, a da ascensão melhorada, e finalmente, a escolha da prosperidade.
Lideres como Whitney Wolfe só conseguem a prosperidade dos seus negócios porque são humildes, conseguem por-se constantemente em causa e mantêm-se fiéis aos seus princípios mesmo que implique deixar para trás amigos que julgavam estar alinhados com o mesmo objetivo maior como aconteceu com Andrey Andreev (criador da Badoo e co-criador da Bumble).
E para quem quer saber da continuação da história, para além do filme. Na vida real, Whitney que se define como “um tipo de CEO que está em todos os detalhes da empresa” acabou por ter de abandonar o cargo depois de um período intenso e de exaustão.
Agora de regresso ao cargo de CEO, deixo-lhe uma entrevista recente ao podcast The Interview do The New York Times em que faz um balanço da sua carreia, fala sobre a aposta estratégica na qualidade e não na quantidade (respondendo ao mercado e aos acionistas da Bumble) e revela os planos para a incorporação de inteligência artificial para melhores ligações. O objetivo é claro: tornar-se na “casamenteira mais inteligente do mundo”.
Whitney Wolfe sempre defendeu e continua a defender, nesta entrevista, que a tecnologia só faz sentido para incentivar conexões mais humanas e saudáveis e continua a observar aquilo que já repetiu vezes sem conta: há falta de oportunidades para as mulheres em empresas tecnológicas.
O Robot Phone é um conceito de smartphone desenvolvido pela tecnológica chinesa Honor. O dispositivo,…
Ainda nesta edição: WhatsApp lança contas controladas por pais | Ford lança AI para frotas…
A Guardião é uma aplicação portuguesa criada para combater as burlas telefónicas. Desenvolvida pela engenheira…
Ainda nesta edição: Meta fecha acordo com News Corp | Nuro testa carros autónomos em…
Neste We Love, trazemos-lhe uma história sobre ciência, sobrevivência e uma aposta…daquelas que só se…