Internet com mais video ou televisão mais interactiva?

Mal surgiu a Internet, logo se percebeu que seria uma plataforma universal onde todo o tipo de dados poderiam proliferar em prol da comunicação mundial.
Uma das aplicações que marcou o arranque e que abriu caminho, em 1995, foi o Real Audio que levou muitas rádios a entrarem no ciberespaço, resolvendo mesmo problemas de alvarás, como era o caso da mítica britânica e “sempre” pirata Radio Caroline.


Pouco tempo depois, em 1997, o video passa a integrar o Real Player permitindo emissão online para as televisões. Daí em diante, foi só uma questão de investimento em velocidade e largura de banda…

Hoje, a Internet é o mundo da música, dos vídeos, dos jogos. É cada vez mais interactiva e está mesmo reinventar o conceito de televisão, assim como todas as formas de consumir e produzir conteúdos. O “fenómeno YouTube” popularizou-se e, se alguns ainda tinham dúvidas, a sua aquisição pelo Google confirmou que os conteúdos vídeo têm e terão cada vez maior importância neste meio. E claro, nasceram muitos “youtubes” dispostos a lutar para vencer.Tal como noutras situações, não é líquido que vença a melhor plataforma tecnológica, pois esta batalha trava-se em duas frentes: a capacidade tecnlógica da aplicação e os conteúdos que tem disponíveis.Os principais players já perceberam que a variável conteúdo é decisiva para o sucesso e estão, por isso, a concentrar todos os esforços nesse sentido.

Bem posicionada, está a Apple com o iTunes, Apple TV e iPod, atraindo os gigantes do cinema, da música, da televisão, entre outros. Desde 2006, a Disney é um desse casos. Os números que conseguiu em vendas no iTunes são uma clara amostra do que o futuro nos reserva, pois desde o seu início vendeu mais de quatro milhões de filmes e mais de quarenta milhões de vídeos (musicais), que traduzindo para dólares equivale a mais de 123 milhões de dólares.

Outro projecto que promete dar cartas nesta área é o Joost. Criado pelos fundadores do Skype e do Kazaa, o Joost tem uma excelente qualidade e tem uma grande variedade de conteúdos. No início deste mês de Março, conseguiu surpreender tudo e todos, quando arrancou com as primeiras emissões em directo da liga de Basquetebol NCAA. A publicidade que passa no Joost (para além do formato vídeo) é também disponibilizada através de layers e micro-sites com os quais os espectadores podem interagir sem deixar de ver os programas seleccionados, conseguindo passar as mensagens dos anunciantes, sem ser introsivo.

E se o conteúdo é Rei, o Hulu é o de facto o mais apetecível. Graças aos seus accionistas NewsCorp (Fox Media Interactive) e NBC Universal, os utilizadores do Hulu têm ao seu dispor grande parte dos conteúdos produzidos por estes dois gigantes. Por lá, encontramos os episódios do CSI Miami, do Dr House ou dos Simpsons. Para já, apenas um senão: só os utilizadores americanos tem acesso ao Hulu.

Mas não vamos ficar por aqui. Vamos misturar um site de comunidade com conteúdos vídeo de utilizadores, com conteúdos premium (incluindo os que estão disponíveis no Hulu) e com uma aplicação que transforma qualquer computador num “media center” e temos o Veoh e a sua aplicação Veoh TV. Este projecto conseguiu convencer o ex-CEO da Disney, Michael Eisner, a entrar na equipa de gestão e também como investidor,ao lado de outros investidores como a Time Warner e a Goldman Sachs.

Entrevista ao fundador do Veoh: Dmitry Shapiro

Se ainda tinha dúvidas em aumentar a largura de banda, espero que agora esteja convencido 🙂

Nuno Ribeiro

Nota: Artigo publicado no jornal Meios & Publicidade de 28/03/2008