Microsoft compra LinkedIn. E agora?

A última segunda-feira (dia 13) foi um dia ‘quente’ para o universo tecnológico. Se do lado da Apple já eram esperados os habituais updates às plataformas iOS, macOS, TvOS e watchOS, durante a sua conferência para programadores (WWDC); a Microsoft surpreendeu ao anunciar a compra do LinkedIn por 26, 2 mil milhões de dólares – a maior aquisição de sempre desta tecnológica.

Análise e comentário de Nuno Ribeiro – Country Manager da FABERNOVEL no programa Fecho de Contas do Económico TV:

 

Podemos dizer que esta é uma jogada inteligente por parte da Microsoft, que, sabe-se agora, acabou por vencer a SalesForce nesta disputa pela aquisição do LinkedIn. Curiosamente, alguns rumores referem que a Microsoft já havia avaliado também a compra da SalesForce, mas o valor oferecido pela empresa não foi suficiente – a SalesForce tem uma capitalização bolsista de cerca de 55 mil milhões de dólares, o mesmo valor que a Microsoft terá oferecido e que ficou abaixo dos 70 mil milhões que desejava Marc Benioff CEO da Sales Force.

Seja como for, a opção pela compra do LinkedIn pode ter um papel decisivo para a Microsoft, concedendo-lhe uma enorme vantagem competitiva no desenvolvimento da sua estratégia. Isto porque, ao ser uma rede empresarial que liga profissionais e empresas, o Linkedin está a criar um mapa/gráfico de toda a economia mundial em cima do qual a Microsoft poderá aplicar diversas soluções de serviços empresariais, ligadas a CRM (Customer Relationship Management), gestão, produtividade, etc.

De acordo com o estudo desenvolvido pela FABERNOVEL, em 2013, “LinkedIn, A Rede Séria”, só com a integração de uma Solução de Vendas para Empresas, o LinkedIn tem a capacidade de entrar num mercado de CRM de 25 mil milhões de dólares – um valor que não fica muito longe daquele que a Microsoft pagou pela empresa.

Mais detalhes sobre o estudo podem ser consultados abaixo:

Esta é, no entanto, apenas a ponta do iceberg de uma visão a longo prazo que passa pela criação do primeiro mapa económico mundial, em tempo real, com informação sobre transações e oportunidades económicas, bem como, possivelmente, o relato em direto de “ajustamentos económicos” das políticas governamentais.

Se a Microsoft conseguir concretizar esta estratégia, esta será uma aquisição ao ‘preço da chuva’. Apesar de ter cerca de 100 mil milhões de dólares em tesouraria, a Microsoft pediu um empréstimo para efetuar a compra do LinkedIn, uma vez que a maior parte da tesouraria está fora dos EUA (e o repatriamento de capital tem vários impostos associados).

… outras movimentações

Após o anúncio da compra do LinkedIn, Satya Nadella, CEO da Microsoft, adiantou que a tecnológica está também a repensar o conceito do sistema operativo Windows 10, definindo-o como um serviço para o utilizador, acessível em todos os dispositivos – mais precisamente em 1,5 mil milhões de máquinas todos os dias.

Assumido o insucesso na área mobile, a Microsoft sabe o seu lugar neste campo – mais ligado às empresas e em aspetos como melhoraria da segurança, gestão e produtividade. Também a pensar nisso, em Fevereiro, a tecnológica adquiriu a Xamarin, uma plataforma de desenvolvimento em mobile, com o objetivo de alargar a presença do seu software em dispositivos que não funcionam com o sistema operativo Windows. O valor da aquisição não foi divulgado, mas os rumores indicam que terá rondado os 400 e 500 milhões de dólares.

As áreas de messaging e bots/inteligência artificial são outros dos investimentos e vão contar com um novo apoio para o desenvolvimento desta estratégia. Na mesma semana em que anunciou a compra do LinkedIn, a Microsoft adquiriu também a Wand Labs, uma startup com três anos com provas dadas na área de desenvolvimento de aplicações de messaging.

Neste momento, Satya Nadella diz estar já a pensar mais à frente, apostando forte na realidade aumentada e virtual, sendo exemplo máximo disso o projeto HoloLens.

Apple e as revelações no WWDC

Enquanto a Microsoft comprava o LinkedIn, a Apple apresentava as novidades para as suas plataformas iOS, macOS, tvOS e watchOS.

O destaque vai para a aposta em bots no iMessage, bem como a intenção de integração do Apple Pay; para o posicionamento no mercado das casas inteligentes, através da nova aplicação Home e do anúncio de parcerias com construtoras; e, ainda, a para a abertura da Siri à integração em serviços externos, demonstrando, uma vez mais, uma inclinação no sentido da massificação dos serviços baseados na inteligência artificial e para as casas inteligentes.

Veja aqui a apresentação de abertura da conferência deste ano:

 

 

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