Apple prepara entrada na realidade misturada

A Apple tem uma nova estratégia para este ano e o iPhone será contemplado com promissoras novidades (saiba mais na entrevista exclusiva de Robert Scoble ao SuperToast), nomeadamente realidade misturada. Tim Cook já deixou, aliás, em algumas entrevistas indícios de que a empresa está bastante interessada no segmento de realidade aumentada (que na verdade se trata mais de realidade misturada – realidade virtual + realidade aumentada).

A Apple já provou que não é preciso ser o primeiro a avançar para liderar no mercado (ou segmento de mercado, como é o caso do iPhone e do iPad, por exemplo) e, muitas vezes, adota uma postura de espectador, bastante ponderada, para depois avançar somente quando o mercado estiver pronto para receber a tecnologia. Enquanto a Microsoft, Magic Leap, Meta,  Google e, recentemente, o Snap (anterior Snapchat), com os óculos Spectacles, são algumas das empresas que têm apostado no segmento das realidades virtual/aumentada/misturada. Estará a gigante liderada por Tim Cook a preparar-se para fornecer uma melhor alternativa?

A Apple diferencia-se muito dos seus concorrentes por preparar bem os seus produtos e entrar no mercado quando este está pronto para os receber, sem ceder a pressões do mercado ou dos analistas financeiros.

iPhone no centro da estratégia

O iPhone é a grande fonte de receitas da Apple e, por isso, a tecnológica está a criar formas de o continuar a impulsionar (iPhone permite controlar dispositivos – IOT – para casas inteligentes, sincronizar dados do Apple Watch, conectá-lo ao Mac). O software (nomeadamente o Apple Maps) e o hardware desenvolvidos indicam que o iPhone está no core desta estratégia em torno da realidade misturada.

O iPhone possui já, por exemplo, um sensor de próxima geração 3D da PrimeSense, empresa israelita que a Apple comprou em 2013, (Apple tem cerca de 600 engenheiros a trabalhar, em Israel, neste sensor). É expectável que no 10º aniversário do iPhone a gigante tecnológica surja com novidades capazes de disromper a indústria da realidade aumentada/misturada.

Num futuro muito próximo, será possível olhar pelo ecrã e visualizar diferentes modos de realidade misturada (o novo iPhone deverá colocar hologramas no mundo real, à semelhança dos óculos de realidade misturada HoloLens, da Microsoft), quer seja através do smartphone, quer seja através de óculos (o que justificou a compra da empresa de realidade aumentada Metaio pela Apple, em 2015).

hololens
Microsoft HoloLens

Novos óculos de realidade misturada?

Depois do iPhone em 2007, do iPad em 2010 e o Apple Watch em 2015, a Apple está a preparar o seu próximo hit, estando, alegadamente, a trabalhar no desenvolvimento de uns óculos com tecnologia de realidade misturada (num conceito semelhante ao projeto falhado da Google, Google Glass) que se irão sincronizar com o iPhone ou, possivelmente, outro dispositivo de bolso.

A FABERNOVEL produziu, em 2014, um vídeo no estádio de futebol Allianz Riviera, em Nice (França), no qual é perceptível algumas aplicações práticas e o potencial da tecnologia de realidade aumentada, através do Google Glass.

Realidade misturada num 3 em 1

No próximo ano, a Apple irá lançar uma nova TV, um novo iPad e um novo iPhone, sendo que os três produtos formarão uma “orquestra” com funcionalidades de realidade virtual e aumentada, uma vez que todos vão possuir sensores da PrimeSense. Tal deixa antever algumas pistas sobre qual será o futuro da TV, como antecipa um vídeo da Microsoft, alusivos aos HoloLens:

A Apple surge assim como o elefante invisível no segmento da realidade misturada, com a vantagem de manter boas relações com Hollywood e com a indústria da música, ou seja, conteúdos. À semelhança da experiência de realidade virtual social promovida pelo Facebook através da Oculus, a Apple, através do iPhone – e eventualmente de uns novos óculos de realidade aumentada/misturada-, poderá ter um impacto significativo transversal a várias indústrias, nomeadamente na criação de novos mecanismos de marketing para as marcas, prototipagem ou na promoção de avanços na investigação na área saúde, a título de exemplo.