Airbnb: nova estratégia para captar toda a experiência de viagem

O Airbnb disrompeu o modelo de negócio da indústria hoteleira ao detetar e dinamizar unidades muito pequenas de valor: alavancou uma capacidade em excesso (de casas e quartos) e criou valor para o utilizador, captando e fornecendo micro negócios. Tirando vantagem da sua base de utilizadores sólida, o Airbnb está a diversificar o seu modelo de negócio, dando o primeiro passo para se tornar numa empresa de viagens com um serviço integral, através do Airbnb Trips.

A empresa liderada por Brian Chesky (valorização de 30 mil milhões de dólares) está a tentar “captar” toda a experiência de viagem, fazendo a transição de um website de reserva de alojamentos para uma plataforma que incluirá recomendações de residentes, reserva de voos e restaurantes e a possibilidade de compra de vários tipos de experiências (treino com maratonistas, aulas com samurais, ou até viagens de carro – o que poderá colocar a Airbnb a competir com a Uber), através do novo Airbnb Trips. Ou seja, não será necessário possuir uma casa ou um carro para conseguir um retorno financeiro, só tempo e talento para desenvolver todo o tipo de experiências nas quais ninguém tinha pensado antes.

Através da app, serão colocadas à venda uma série de experiências, incluindo aulas leccionadas por um mestre samurai, no Japão, um treino com maratonistas, no Quénia, ou uma sessão de surf com um surfista local, em Malibu.  

 

Direccionar as experiências para a audiência certa

Para atingir a escala de que necessita para tornar este negócio rentável para si e para os guias que proporcionam estas experiências, o Airbnb irá recorrer à sua base de dados e algoritmos para fazer o match entre as preferências dos viajantes e as ofertas dos guias (os guias definem os preços e asseguram os custos da experiência).

Além de experiências, o Airbnb Trips inclui ainda a componente “Places“, que consiste em recomendações feitas pela comunidade local (na qual a Airbnb estabeleceu uma parceria com a Resy para reservas de restaurantes), mas a empresa planeia a introdução de mais duas ferramentas: Flights e Services. É expectável que o Airbnb Flights venha a beneficiar das recentes parcerias que o Airbnb criou com a Delta Air Lines, Qantas e Virgin America.

Este estímulo ao contato com a comunidade local tem sido, de resto, uma tendência seguida pela indústria: o Marriott, por exemplo, lançou o programa “Art of Local” que oferece aos hóspedes um “acesso” à comunidade local de artistas e músicos; enquanto o Booking.com arrancou com as Booking Experiences, um serviço que recorre a chatbots para ajudar os viajantes a encontrar e reservar eventos.

Segundo a Cowen & Co., o Airbnb obterá, este ano, uma receita de 12,3 mil milhões de dólares em arrendamentos. Uma vez que a empresa retém 15% de cada arrendamento – entre 6 e 12% dos hóspedes e 3% dos anfitriões -, terá uma receita líquida de 1,85 mil milhões de dólares este ano. 

Com esta estratégia de captação de toda a experiência de viagem, o Airbnb visa conquistar mais tempo no percurso do utilizador, colocando a sua marca presente em vários momentos da viagem: desde a reserva de alojamento, voos e restaurantes à obtenção de recomendações de residentes e ao novo marketplace de experiências.

 

 

 

 

 

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