Política na nova economia: O que as empresas podem aprender

As recentes eleições nos Estados Unidos deixaram algumas “lições”, não apenas para os políticos, mas também para as empresas.
Donald Trump, o presidente eleito, conseguiu “antecipar-se” e ver uma América diferente, surgindo como uma espécie de startup que disrompeu o sistema. Trump utilizou muitas das estratégias que uma startup utilizaria para captar a atenção dos media gratuitamente: criou uma narrativa apelativa em torno da sua campanha, que o manteve debaixo dos holofotes dos media, e com isso poupou custos; e criou uma estratégia de distribuição e marketing eficaz, com uma mensagem atrativa que atraiu “likes” a uma quantidade massiva de eleitores em zonas rurais. 

Mas há outras ilações que as organizações podem tirar com as eleições norte-americanas:

  • Aqueles que não se manifestam sobre a intenção de voto são, paradoxalmente, eleitores significativamente mais poderosos. Podemos, por isso, estabelecer um paralelismo com os ad-blockers. Um estudo recente da FABERNOVEL Data & Media concluiu que os utilizadores de ad-blockers são, surpreendentemente, aqueles que têm maior potencial de passar a ser clientes de uma marca. Pelo que as marcas têm um sério problema em mãos: aqueles que têm maior tendência para comprar os seus produtos online são aqueles que os estão a evitar. O mesmo aconteceu com as sondagens, que se “esqueceram” dos eleitores “secretos”.
  • A inteligência artificial é uma nova ferramenta, cada vez mais relevante. Pelo menos duas iniciativas de machine learning, Mog AI e Eagle.ai (desenvolvidas pela Havas Cognitive) previram a vitória de Donald Trump com base em dados de várias fontes, mas, sobretudo, através das redes sociais. A única personalidade de Silicon Valley que apoiou Donald Trump foi Peter Thiel, que é co-fundador da Palantir, uma empresa “unicórnio” de data science que trabalha para o Pentágono e na qual a CIA investiu.
  • Mais importante do que possuir grandes quantidades de dados, as empresas devem analisar e retirar insights dos dadosEm alguns Estados, a equipa de Donald Trump antevia uma vitória, ao contrário do que diziam as sondagens públicas. As projeções de Trump eram diferentes, porque a sua equipa de analistas de dados estava a escrutinar um eleitorado diferente do das sondagens e da maioria dos media (um grupo de eleitores mais velho, caucasiano, mais rural e populista).

Conclusão: a Internet é omnipresente, se esta não servir para ajudar um candidato a vencer (caso de Obama), certamente poderá levá-lo à derrota – uma lição que as empresas devem ter em consideração.