Quais são as semelhanças entre liderar a cobertura mediática dos protestos egípcios de 2011 para o New York Times, ser responsável pela conceção da nova arquitetura informática do FBI, na sequência dos ataques de 11 de setembro, e ensinar ciências na escola? A resposta não é óbvia e dá que pensar.

No seu livro Scrum: a Arte de Fazer o Dobro do Trabalho em Metade do Tempo (2014), Jeff Sutherland explica como qualquer processo ou qualquer negócio podem ser acelerados e tornados mais eficientes. Alcançar (ainda) melhores resultados é possível, através do Scrum, uma abordagem de agilidade aplicada à gestão de projetos.

Sutherland é um veterano do Vietname formado na Academia Militar dos EUA, com uma licenciatura em engenharia. No seu percurso por 11 empresas, enquanto CTO, foi percebendo que a tradicional abordagem “cascata” e os gráficos de Gantt, que a maioria das empresas utilizava, conduzia sempre a atrasos e a custos adicionais. Foi então que começou a desenvolver uma nova metodologia enquanto supervisionava a implementação dos “Multibancos” americanos.

Inspirado pelo sistema de desenvolvimento de produtos da Toyota e pelo Lean Management, criou uma abordagem baseada numa bolsa de tarefas (backlog) e objetivos claros a serem alcançados dentro de “sprints” curtos, equipas interdisciplinares, hierarquias claras – mas horizontais – feedbacks regulares e uma capacidade de reavaliar o progresso e de se orientar para novos objetivos de uma forma ágil.

O Scrum pode parecer um conceito pouco ortodoxo, uma vez que vai contra muitas das regras tradicionais de gestão, mas este livro demonstra habilmente o sucesso desta abordagem através de variados exemplos. Além disso, o seu tom humorístico torna-o numa leitura muito agradável, para qualquer pessoa que deseje reexaminar completamente a forma como estamos habituados a trabalhar em equipa e perceber realmente o que é transformar a sua empresa numa empresa “ágil”.