Opinião

Inovação: O novo sex appeal dos media…

Sei que sou suspeito por ser um apaixonado pelos media e pelo digital, mas continua a entusiasmar-me sentir que todas as gerações desejam, procuram e consomem cada vez mais media. O atual sex appeal desta indústria deve-se à imparável e acelerada transformação potenciada pelo digital.

Com uma tecnologia de ponta no bolso, que permite fazer um direto, num instante, e com plataformas que democratizaram a distribuição, a proliferação de talento e projetos, está a fragmentar o mercado e a captar mais e mais a atenção. A televisão não acaba na televisão! Continua nas plataformas digitais, nas redes sociais…

Os media estão no “olho do furacão” de uma transformação que está a arrasar todas as indústrias. A era dos dispositivos tradicionais (papel, rádio FM e TV hertziana e cabo) está a ser substituída pela era dos dispositivos inteligentes (smartphones, smart TV, smart speakers) para através deles se difundirem todos os tipos de projetos informativos ou de entretenimento, sob forma de site, aplicação ou rede social. Estamos todos ligados e todos nos ligamos aos media reinventando modelos de negócio, construindo sempre novas realidades com o Metaverso ou os NFT. Inovação e aceleração já não são apenas fundamentais, são vitais para sobreviver e conseguir seguir os consumidores, sobretudo as gerações mais jovens. São a única forma de conseguir captar o maior tempo de atenção e as audiências.

O consumo de media está em alta graças à inovação! E é este novo sex appeal que está a atrair muitos multimilionários da tecnologia, não apenas porque têm dinheiro ou porque querem mudar as regras do mundo da comunicação, mas porque percebem que, nesta convergência entre media e tecnologia, eles têm uma enorme vantagem competitiva: dominam o digital.

Uma rápida cronologia da entrada dos mais relevantes multimilionários da tecnologia. Afinal quem comprou o quê?

Steve Jobs (Apple): Comprou a Pixar (1985) por 10 milhões de dólares e a aquisição da Pixar pela Disney por 7,4 mil milhões de dólares, em 2006, tornou Steve Jobs o o maior acionista individual da Disney.

Jeff Bezos (Amazon): Investiu na Business Insider (2013) e comprou o The Washington Post (2017) por 250 milhões de dólares.

Laurene Jobs (viúva de Steve Jobs – Apple): Herdou a posição de Steve Jobs de maior acionista individual da Disney e comprou a The Atlantic (2017) – o valor não foi divulgado.

Marc Benioff (Salesforce): Comprou a revista Time (2018) por 190 milhões de dólares.

Elon Musk (Tesla): Comprou o Twitter por 44 mil milhões de dólares.

Para quem já provou que consegue mudar as regras do jogo em várias indústrias (automóvel, energia, transportes, aeroespacial e saúde), os media não podiam ficar de fora, e nada melhor do que uma plataforma social como o Twitter, na qual Elon Musk é heavy user, para revirar o “olho do furacão” com inovações.

Se Mark Zuckerberg revolucionou com o Facebook (agora Meta) com o mote “Move Fast and break things”, o que se espera de Elon Musk é o seu típico modus operandis “Break thinks and move fast”.

Nuno Ribeiro

Managing Partner da agência de inovação Instinct. Foi Portugal General Manager da agência de inovação FABERNOVEL (2012 a 2022), diretor da unidade de negócio multimédia do grupo Global Media (2008 a 2012), diretor da unidade de negócios de Internet do grupo Cofina Media (1999 a 2008) e consultor do secretário de Estado da Comunicação Social para a área digital (1997 a 2002). Em paralelo com a atividade profissional foi docente, coordenador de programas executivos e pós-graduações nas Universidades: Católica-Lisbon, Europeia, ISEG e Lusófona (2001 a 2016). Colaborou com artigos de opinião e comentador, sobre temas de inovação, transformação digital e nova economia nos media: Visão, Diário de Notícias, Meios & Publicidade e Económico TV. 
Autor do livro Gerir na Era Digital (2011). É licenciado em Economia pela Católica-Lisbon, onde também concluiu o curso avançado Gestão de empresas tecnológicas e uma pós-graduação em Media e Entretenimento.

Recent Posts

Anthropic torna o Claude mais rápido e mais barato

Meta transforma a sua AI numa oferta para empresas | Shopify abre as lojas aos…

8 horas ago

Zyla: uma plataforma para conquistar atletas

A Zyla é uma plataforma brasileira de corrida que combina inteligência artificial, GPS e ferramentas…

1 dia ago

“AI is going to make music better. AI is not going to thwart great people.”

Jimmy Iovine, Interscope Records & Beats by Dre

1 dia ago

Nvidia quer controlar os agentes de AI, e devolve 150 mil milhões aos acionistas

AMD compra a World Labs por 8,2 mil milhões | Anthropic reserva $11,6 mil milhões…

2 dias ago

Postaway: dá uma nova vida aos postais

A Postaway recupera os postais vintage e envia-os em formato digital, com um elemento de…

3 dias ago

Revolut compra um banco para entrar na Argentina

Meta torna os Ray-Ban mais discretos e mais inteligentes | Xiaomi entra na corrida dos…

4 dias ago