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Work hard, fail hard: A história da ascensão exponencial e da queda vertiginosa do BlackBerry

Mesmo que nunca tenha tido um BlackBerry, aposto que conheceu alguém que utilizou e que adorava. Muito provavelmente como hoje adora o seu iPhone. Recordar aquele teclado QWERTY, com o seu toque e som característicos, deixará alguns utilizadores do famoso BlackBerry nostálgicos ao ler isto.

Baseado no livro Losing the Signal: The Untold Story Behind the Extraordinary Rise and Spectacular Fall of BlackBerry, de Jacquie McNish e Sean Silcoff, o filme “BlackBerry” dirigido por Matt Johnson, conta a história da criação da linha de smartphones BlackBerry pelos cofundadores Douglas Fregin e Mike Lazaridis e pelo investidor Jim Balsillie.

Prometo ter atenção aos spoilers! 🫢 Apesar de biográfico, o filme retrata uma visão fictícia inspirada em pessoas e eventos reais. Aborda os primeiros tempos da empresa canadiana Research In Motion (empresa-mãe que mais tarde cria o BlackBerry), o pitch que mudou tudo, a dinâmica entre os elementos-chave da equipa e os acontecimentos que levaram ao seu trágico desaparecimento.

Fortemente influenciados pelas startups de Silicon Valley do final dos anos ’90, os produtores deste filme carregaram com animação a história real da criação de um dos primeiros smartphones bem-sucedidos do mundo. No entanto, como observado no filme, a história real do BlackBerry desenrola-se na cidade de Waterloo (Ontário), no Canadá, e como confirmado por ex-colaboradores da empresa, em nada se parecia com uma tradicional startup de Silicon Valley.

Para os interessados na história da tecnologia e do empreendedorismo, o filme é um retrato inteligente, engraçado e trágico da indústria. Numa mistura de entretenimento e informação, o filme deixa-nos mergulhar no cenário competitivo do mercado de smartphones e na dinâmica interna da empresa que, na época, inovou e revolucionou este mercado.

De uma capitalização bolsista superior a 80 mil milhões de dólares em 2008, hoje a BlackBerry tem uma capitalização bolsista de 2 mil milhões de dólares e detém 0% do mercado de smartphones. O preço das ações da empresa caiu vertiginosamente ao longo dos anos. Numa tentativa de se transformar, a empresa focou-se na produção de software empresarial, em soluções de cibersegurança e em serviços de Internet of Things. Apesar destes esforços, o valor de mercado nunca recuperou o seu pico histórico na era dos smartphones em 2008, com o lançamento do BlackBerry Bold.

A história do BlackBerry prova que no mundo dos negócios quando algo aparentemente genial e adorado é criado, pode também ser facilmente substituído e tornar-se obsoleto. Inovar não é apenas melhorar um bom produto, mas sim transformá-lo à medida que o seu utilizador vai evoluindo.

O filme “BlackBerry” pode ser alugado ou comprado no YouTube e estou certa que, depois de o ver, vai lembrar-se da época em que teclava no QWERTY do seu BlackBerry.

Catarina Nunes

Catarina é Business Designer e Strategy Director da Instinct desde 2021, tendo sido Project Director durante o tempo que a Instinct representou a Fabernovel em Portugal. Catarina começou a sua carreira como consultora de gestão na Accenture, onde esteve envolvida em diversos projetos focados no desenho e otimização de processos, no desenvolvimento de modelos operativos e na gestão da mudança nas mais diversas indústrias, desde de Retalho a Saúde e Serviços Públicos. Estudou Engenharia Química e Bioquímica (NOVA SST) e desenvolveu a sua tese de mestrado em investigação na Graduate School of Sciences and Technology for Innovation (Yamaguchi University). Apaixonada por human-centered design, estudou também User Experience & User Interface Design (EDIT. - Disruptive Digital Education).

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