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Atlas: confiar ou não confiar na AI, eis a questão!

Atlas Shepherd é a mais recente personagem incarnada por Jennifer Lopez. Uma célebre analista especializada em anti-terrorismo e filha de Val Shepherd, uma especialista em Inteligência Artificial.

Atlas cresceu com Harlan, um robot doméstico amigável que se transforma numa verdadeira ameaça e inicia uma rebelião de robots contra humanos. Inicialmente surpreendidos, os humanos acabam por responder com armas, obrigando Harlan e a sua tropa de robots a deixar a terra.

Anos mais tarde, Harlan, que tinha prometido vingança, regressa ao planeta terra e ninguém melhor do que Atlas para integrar a missão de capturar o robot vilão. Para conseguir, vai ter de voltar a confiar na Inteligência Artificial, desta vez Smith, que tem como única e exclusiva missão preservar a sua vida.

Esta é a história de Atlas, o filme mais caro e mais aguardo de 2024, lançado pelo Netflix, com um orçamento que se aproxima dos 100 milhões de euros e que coloca a Inteligência Artificial no centro da reflexão.

Apesar da sua baixa pontuação (rating de 5,6/10 no IMDb) e das críticas, algumas implacáveis como “poderiam ter utilizado AI para fazer um melhor filme” ou “a ironia do filme ser sobre AI e parecer ter sido escrito por um robot”, não quero deixar de realçar que passa uma mensagem profunda sobre o futuro da utilização da Inteligência Artificial em que parece que o problema (se existe) não está na tecnologia, mas sim, no Homem.

Este filme é um apelo à responsabilidade, ilustrada pela visão e o sentimento genuínos de uma criança sobre o mundo que, na história, é passada a Harlan. O robot não conseguem perceber a autodestruição humana e os atentados ao planeta e revolta-se contra os homens.

Afinal quem é o inimigo, neste filme? O robot com Inteligência Artificial ou o próprio homem que tem dificuldade em autoprogramar-se apenas para fazer o bem?

Se procura uma reflexão mais filosófica sobre Inteligência Artificial, Atlas é um bom filme, não dispensando o típico cliché geopolítico com um robot vilão de aspeto asiático a tentar destruir o mundo liderado pelos americanos.

Sandra Lucas Ribeiro

Sandra é Co-founder e Managing Partner da Instinct desde a sua criação em 2012, tendo sido COO durante os 10 anos que a Instinct representou a Fabernovel em Portugal. Depois de 7 anos dedicados ao jornalismo, na rádio e na televisão, participou na criação de uma das primeiras agências digitais em Portugal em 1998, a Absolut System adquirida pelo grupo WPP passando a OgilvyInteractive onde foi durante 5 anos Diretora de Serviço ao Cliente. Ao longo da sua carreira passou ainda por várias agências, como a Partners, a Grey e a Strat. Apaixonada pelas ciências sociais, em particular pela revolução social provocada pelo digital e pelo impacto das novas tecnologias no comportamento humano e no mundo dos negócios. Formada em Psicologia (Université Paris 8), em Marketing Management (Católica Business School of Lisbon), Jornalismo (CENJOR) e em Luxury Brand Management (Executive Course - ISEG), tem-se dedicado nos últimos anos ao Human-Centered Design (IDEO.org) e ao estudo das emoções na experiência digital.

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