Fabricantes automóveis apostam em serviços de mobilidade

  • Os fabricantes automóveis estão a preparar soluções de mobilidade para concorrer com players nativos digitais.
  • Do teste, à criação de unidades de negócios e posterior excubação este é o processo que encontraram para afirmarem esta nova oferta.

A resposta das empresas tradicionais aos players nativos do digital tem sido o teste, criação de unidades de negócios e posterior excubação. Os fabricantes automóveis são um dos melhores exemplos, incluindo a Ford que está a fazer a transição de um simples fabricante de automóveis para uma empresa de mobilidade. Através da subsidiária Ford Smart Mobility LLC, criada para inovar à velocidade de uma startup, começou a testar uma série de novos serviços, nesse sentido:

Além do enfoque na conectividade (App Link, sistema SYNC 3,…), mobilidade (GoPark, GoDrive, Dynamic Shuttle,..), experiência do consumidor (FordPass) e analítica de dados (parceria com a IBM), a Ford Smart Mobility é o pilar de investimento na condução autónoma.

A empresa tem sido explícita em relação à sua crença de que o futuro da mobilidade passa por veículos autoguiados partilhados, num modelo semelhante ao da Uber e da Lyft. E por, isso, (além da parceria com a Uber) vai fazer um investimento estratégico, de mil milhões de dólares, na Argo AI (fundada por ex-colaboradores da Google e da Uber), que lhe permitirá ganhar mais argumentos para concorrer com a Waymo (da Google).

Acima de tudo, esta é uma forma de aproveitar a especialização no terreno da inteligência artificial da startup para o incorporar nos seus veículos autoguiados (que já estão a ser testados há algum tempo), bem como gerar uma fonte de receita através do licenciamento desta tecnologia a fabricantes automóveis que não estejam a desenvolver os seus próprios sistemas de condução autónoma.

Piaggio e a mobilidade granular

A Piaggio (fabricante da famosa Vespa) é também um bom exemplo de como a indústria dos transportes está a testar novas atividades e a expandir o seu modelo de negócio. Através da subsidiária Piaggio Fast Forward, a empresa está a criar novos produtos e serviços.

Com base no conceito de mobilidade granular, o primeiro produto da empresa, Gita, foca-se nos espaços onde as pessoas se deslocam como pedestres, sendo um robô destinado ao transporte de objetos/bens, enquanto o utilizador caminha, corre ou se desloca numa bicicleta – e já está a ser testado em fábricas e parques temáticos.

Excubação para competir com players digitais

Os fabricantes de automóveis são um exemplo flagrante de como a excubação tem sido a resposta para concorrer com players nativos do digital e se tornarem empresas de mobilidade: a Volkswagen criou a MOIA, uma empresa especialmente dedicada aos serviços de mobilidade; a Daimler (detém a Mercedes) criou a Daimler Mobility Services; a BMW criou a BMW i; e a Renault-Nissan já criou uma startup in-house para acelerar estes serviços.