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A falha humana na leitura dos outros

Negócios falhados, entrevistas inconclusivas, burlas no mercado financeiro… são muitas as situações que ocorrem quando uma simples e suposta conversa não flui. 

O livro Falar com desconhecidos (Talking to Strangers) é uma exploração fascinante sobre porque somos tão maus a interpretar pessoas que não conhecemos.

A explicação é simples: acreditamos na “verdade por default” e, este, é o conceito central do livro, baseado no trabalho do psicólogo Timothy Levine. Ou seja, para a sociedade funcionar, precisamos de confiar uns nos outros, e se duvidássemos de cada interação, a vida social pura e simplesmente colapsaria. Por outro lado, Malcolm Gladwell explica que isto torna-nos vulneráveis a mentirosos habilidosos como Bernie Madoff ou um espião cubano que enganou a CIA durante anos.

Outra das explicações, é o facto de termos tendência a acreditar que o comportamento exterior de alguém reflete fielmente os seus sentimentos interiores. Ou seja, se alguém está inocente, deve parecer inocente (calmo, firme); se está culpado, deve parecer nervoso. Gladwell mostra que muitas pessoas são “desajustadas” como o caso de Amada Knox (agora em série no Disney+) que parece culpada quando está sob pressão e fora de contexto.

Lançado em 2019, o livro utiliza como fio condutor a trágica história de Sandra Bland, uma mulher negra mandada parar por uma trivial infração de trânsito e que acabou por se suicidar na prisão.

Um audiobook que parece um podcast

Repleto de histórias reais, o autor acabou por produzir um audiobook como se fosse um podcast com as gravações reais das entrevistas e bandas sonoras, o que torna a experiência muito mais imersiva.

Para quem já leu outros livros de Malcolm Gladwell, como Blink! ou Outliers, vai reencontrar a simplicidade e a genialidade na forma como ele explica o funcionamento do mundo e das pessoas, deixando agora, um apelo à humildade: devemos aceitar que nunca conheceremos totalmente um desconhecido. Ao reconhecer os limites da nossa percepção, podemos evitar conflitos desnecessários e injustiças profundas.

Sandra Lucas Ribeiro

Sandra é Co-founder e Managing Partner da Instinct desde a sua criação em 2012, tendo sido COO durante os 10 anos que a Instinct representou a Fabernovel em Portugal. Depois de 7 anos dedicados ao jornalismo, na rádio e na televisão, participou na criação de uma das primeiras agências digitais em Portugal em 1998, a Absolut System adquirida pelo grupo WPP passando a OgilvyInteractive onde foi durante 5 anos Diretora de Serviço ao Cliente. Ao longo da sua carreira passou ainda por várias agências, como a Partners, a Grey e a Strat. Apaixonada pelas ciências sociais, em particular pela revolução social provocada pelo digital e pelo impacto das novas tecnologias no comportamento humano e no mundo dos negócios. Formada em Psicologia (Université Paris 8), em Marketing Management (Católica Business School of Lisbon), Jornalismo (CENJOR) e em Luxury Brand Management (Executive Course - ISEG), tem-se dedicado nos últimos anos ao Human-Centered Design (IDEO.org) e ao estudo das emoções na experiência digital.

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