Apple, Google, Microsoft, Nokia, Sony e Amazon

Titãs em competição pelo “Monopólio de Consumidores” e “Portagem na Ponte”

Os (actuais) principais players mundiais na criação e definição dos caminhos futuros na Era Digital são: Apple, Google, Microsoft,Nokia,Sony e Amazon.

Todos eles criaram ecossistemas, não compatíveis e tentam ganhar a maior quota em vários mercados e sub-mercados em que actuam, e apostam forte na alavancagem
de posições entre os vários mercados. Por isso, a diversificação de negócios é vital para conseguirem posições dominantes mas, aumenta fortemente a complexidade
na gestão.

A gestão estratégica e operacional em cada um dos sub-mercados onde actuam é um factor determinante para garantir o sucesso.

Perseguem aquilo a que Warren Buffet apelidou de “Monopólio de Consumidores” e “Portagem na Ponte”. Sabem que “The Winner Takes it All”, e por isso, não poupam esforços, tempo e investimentos porque pode não haver “prémio” para o segundo. Sabendo, no entanto, que haverá alguns mercados onde poderão existir fortes concorrentes (por exemplo, o caso da RIM com os Smartphones Blackberry).

Warren Buffet Chairman & CEO, Berkshire Hathaway

Nesta “corrida” um factor determinante é a simbiose entre dispositivos e serviços (online), como forma de defender e fechar aos concorrentes a capacidade de entrar junto dos clientes captados.

Os consumidores passam a ter “barreiras à saída”. A integração de serviços entre os vários dispositivos da marca garantem maior fidelização e menor elasticidade sobre o preço do lado da procura. Por isso, o objectivo neste momento é conseguir a maior quota em cada um dos mercados e criar efeitos de alavanca entre eles. A concorrência é feroz, a contínua evolução tecnológica associada à possibilidade de entrada de novos players e as rápidas alterações de consumo de Media são variáveis importantes e a considerar por qualquer um dos referidos titãs.

Segue uma breve análise à presença de cada um nos mercados (esub-mercados):
Hardware/Dispositivos, Software, Web e Distribuição On Line Digital.

Mercados e sub-mercados:

Dispositivos/Hardware

* Google prepara uma set-top box e software – Google TV -, que poderá ser disponibilizado em Televisores.A Sony poderá ser um dos fabricantes a incluir o sistema operativo do Google e respectivas aplicações nos seus televisores.

** MediaRoom é o sofware que a Microsoft fornece a operadores de cabo e Internet Service Providers (para fornecerem serviço de IP TV) para set-top box e também para Xbox (ex:Vodafone Casa TV).

*** O Google já anunciou que irá lançar o Google Tablet, mas ainda não definiu data. O equipamento será fabricado pela HTC(tal como acontece com o telemóvel Nexus One.

Software

*A Nokia vendeu em Julho de 2009 à Accenture o sistema operativo Symbian

Web


Distribuição On Line (digital)


Sobre cada um dos “titãs”:

A sua forte imagem de marca, associada a inovação, design, “lifestyle” e moda, excelente usabilidade do seu hardware e software garantem um elevado nível de fidelização e por isso, um forte “monopólio de consumidores”. São o motivo de uma capitalização bolsista cada vez mais próxima da Microsoft.

O facto de fabricar hardware e software dá à Apple uma enorme vantagem competitiva, face aos restantes concorrentes.

O iPod e o iPhone são produtos de sucesso e que em muito contribuíram para o sucesso do iTunes (alavancagem entre mercados).

O iTunes é a plataforma central de distribuição de conteúdos (“portagem na ponte”), que anunciou no mês de Fevereiro ter ultrapassado a venda de 10 biliões de músicas dando-lhe assim o estatuto de maior loja de bens digitais (música, jogos, livros e aplicações).

A Apple reagiu à entrada do Google nas plataformas de gestão de publicidade nas plataformas móveis, e adquiriu a Quattro Wireless em Janeiro deste ano e prepara o lançamento do serviço iAd.
Mas se o objectivo é entrar nas plataformas de gestão de publicidade (Search, Display e in-Game) terá de ser rápida no desenvolvimento e/ou nas aquisições.

Segundo alguns rumores tudo indica que a verdadeira “guerra” ao Google será assumida com a criação de um motor de busca.

O novo dispositivo apresentado pela Apple, o iPad vai alterar de forma substancial a forma de consumo de Media e potenciar o negócio dos editores (Media, Jogose Apps), e a avaliar pelas 120 mil unidades reservadas on line no primeiro dia, tudo indica que será mais um produto de sucesso.

No mercado de televisão a Apple tem a Set-top Box Apple TV.

O popular motor de busca conseguiu uma quota de mercado impressionante, e a sua marca (“Monopólio de Consumidores”) está em primeiro lugar com uma valorização de 100 biliões de dólares.

O Google abriu “guerra” directa à Microsoft com os sistemas operativos Android e Android Mobile, Browser Chrome e Google Docs (aplicações de produtividade baseadas na Web).

A grande “cash-cow” continua a ser a plataforma de publicidade AdWords (“Portagem na Ponte”). O Google é líder em plataformas de gestão de publicidade e está em todos os sub-segmentos: Search (AdWords), Display (DoubleClick), Mobile (DoubleClick e AdMob) e In-Game (adScape Media).

A entrada nos equipamentos móveis (em parceria com a HTC), ainda está longe de ser um sucesso e a parceria com a Apple (com a integração de serviços Google nos dispositivos da Apple) pode estar em “risco” por este ter entrado no mercado de equipamentos de telemóveis e estar a preparar equipamentos
para concorrer com o iPad e Apple TV.

O Google já anunciou que prepara o lançamento do Google Tablet (que será fabricado também pela HTC) e que vai entrar também no mercado das Set-Top Box através da parceria com a Intel e Sony (software que poderá ser disponibilizado em Televisores do fabricante nipónico).
Tudo indica que mais uma vez o Google vai entrar no meio da cadeia de valor da publicidade, o Google AdWords já permite anunciar em algumas estações de Televisão… mas, se o software do Google permitir anúncios no rodapé (independente do canal que estou a ver, mas apenas em função do perfil dos telespectadores), haverá partilha com os operadores de televisão?

A abordagem da Microsoft distingue-se da Apple por não fabricar hardware, o que permite maior a massificação do sistema operativo Windows através de quase todos os fabricantes de Hardware, dando à Microsoft uma forte vantagem na distribuição das suas aplicações.
É ainda cedo para perceber se a Microsoft terá sucesso na sua recente aposta no telemóvel – KIN (fabricado pela Sharp), mas na área móvel o investimento continuará certamente a ser o Windows mobile e respectivas aplicações. Idem no software para Set-Top Box de TV.  No entanto, a Xbox também disponibiliza aos Internet Service Providers a possibilidade de oferecerem serviços de TV com a Xbox / Media Room (como é o caso em Portugal do serviço Vodafone Casa TV).A facilidade de integração entre as aplicações Microsoft, seja para utilizadores domésticos, seja empresarial, dá também aqui vantagem competitiva para a criação de um “Monopólio de Consumidores” e “Portagem na Ponte”.A “guerra” com a Apple nos leitores de MP3 é feita com o Zune e com a Sony e Nintendo nas consolas de jogos com a Xbox  (em breve estará disponível o Project Natal). No entanto, o gigante do software demorou a perceber os
passos que tinha de dar na Internet, e a concretização foi demorada.No mercado Web a Microsoft está presente em todos os segmentos, e a parceria com o Yahoo! para a integração do motor de busca Bing e venda de publicidade, pode ser a aproximação suave para uma Oferta Pública de Aquisição com sucesso,depois da fracassada em 2008.A criação do motor de busca Bing e a aquisição do AdServer Atlas (depois da tentativa de aquisição da DoubleClick), posicionaram a Microsoft em concorrência directa com o Google, mas com quotas de mercado substancialmente mais baixas.Na distribuição digital, a Microsoft opera com três marketplaces e três marcas distintas, um ponto negativo para quem deve mostra vantagens de integração.A loja deveria ser única (como o iTunes da Apple), e estar acessível através de todas as plataformas, porque não MSN Store?

Nokia é a única empresa europeia nesta luta de titãs.

Com elevada credibilidade e notoriedade a Nokia é também conhecida pela sua cultura de permanente mudança. Mas, esteve “adormecida” em cima da grande quota de mercado (“Monopólio de Consumidores”) e demorou, a reagir aos “touch screens” sendo ultrapassada pela HTC e Apple, e perdeu terreno no segmento dos “smartphones”.

No entanto, continua a ser o fabricante com maior quota de mercado mundial (cerca de 40%).

Hoje, prepara-se para ser uma empresa de Media e foca a sua actividade na integração de serviços e conteúdos.

venda do sistema operativo móvel – Symbian – à Accenture e a utilização de outros sistemas operativos nos seus equipamentos como é o caso do sistema aberto (open source) Maemono Nokia N900 e o anúncio da parceria com a Microsoft mostram uma mudança de estratégica nesta área.

A Ovi Store será a uma importante alavanca nesta mudança de estratégia, e o número de dispositivos Nokia são um importante catalisador de receitas
na Ovi Store (“Portagem na Ponte”).

A recente tentativa de entrada no mercado dos Notebooks com o portátil Booklet foi tímida e com fracos resultados.

O gigante nipónico tem a sua estratégia assente nos dispositivos/hardware e nas lojas on line.

A sua notoriedade de marca e credibilidade dos produtos é um dos seus trunfos (“Monopólio de Consumidores”).

As televisões são um importante dispositivo pelas possibilidades de conectividade à Internet e acesso a serviços on line, onde a possível parceria com o Google para disponibilizar o seu sistema operativo pode ser um catalisador das suas vendas.

A consola de jogos Playstation 3 prepara-se para um importante “upgrade” – PlayStation Move – e poderá posicionar-se também como um Media Center.

A PlayStation Portable Go tudo indica irá evoluir para um “2 em 1”: Consola de Jogos e Telemóvel o que poderá ser também uma grande alavanca dos vários serviços e vendas on line (Playstation Store – “Portagem na Ponte”).

O eReader da Sony, está ainda longe das funcionalidades daquele já que é já anunciado como líder de mercado – iPad.

amazon.comAmazon.com é a marca referência em comércio electrónico (“Monopólio de Consumidores” e “Portagem na Ponte”).

Uma posição que atingiu pela permanente evolução do seu CRM e pelo elevado nível de serviço aos seus clientes.

A percepção de que os livros (o seu foco inicial de vendas), caminhariam para formatos digitais levou ao fabrico do eReader Kindle e à venda de formatos digitais de livros e música com a Amazon MP3.

O seu crescimento, obrigou-a a grandes investimentos de infra-estrutura e hoje a Amazon fornece serviços de “cloud computing” – Amazon Web Services -, uma importante tendência dos próximos anos e onde a Amazon já está muito bem posicionada (“Portagem na Ponte”).

A Amazon detêm o site Alexa.com que analisa estatísticas e evoluções de audiências on line (por segmentos, países, etc.) e disponibiliza também serviços na plataforma da Amazon Web Service.

Detêm também o motor de busca A9.com que está integrado com a plataforma de publicidade ClickRiver.

How The Mighty Fall: And Why Some Companies Never Give In

Estes “titãs” vão marcar os próximos anos, mas como tal como noutras indústrias nem sempre os poderosos sobrevivem, como alerta o Prof Jim Collins no seu último livro “How the Mighty Fall and Why Some Companies Never Give In”.

Uma coisa é certa, quem vai ganhar são as sociedades e os consumidores.

Nota: Artigo (parcialmente) publicado no jornal Meios & Publicidade de 14/05/2010