Facebook no pós-IPO

No dia 18 de Maio, o Facebook dispersou o seu capital em bolsa (IPO – Initial Public Offer), valorizando a empresa em 104 mil milhões de dólares. Desde então, as ações do Facebook já desvalorizaram cerca de 50%.

As dúvidas sobre a valorização do Facebook surgiram logo após o primeiro dia de bolsa, pois esta valorização representava uma valorização de 75 vezes os lucros (earnings per share), quando empresas no mesmo setor têm valorizações de 12 a 42. Ou seja, se os lucros se mantiverem estáveis os investidores que adquiriram ações no dia de entrada em bolsa demorarão cerca de 75 anos até amortizar o capital investido (os números eram públicos, e bastava fazer as contas…). Loucura para alguns, oportunidade para outros que acreditam num crescimento exponencial da rentabilidade.

O valor de 38 dólares por ação no IPO foi definido para não defraudar as expectativas de investidores recentes que tinham adquirido ações no segundo mercado, nas semanas anteriores ao IPO.

A dúvida do mercado e dos investidores é se o Facebook vai ou não ser bem sucedido?

Mark Zuckerberg, fundador do Facebook mantém o total controlo da empresa “blindou-se” com o que aprendeu de Steve Jobs (que foi despedido da Apple em 1985), tal como o fizeram Larry Page e Sergey Brin da Google.

Mark, foi claro na carta que escreveu aos potenciais investidores: “O Facebook não foi criado para ser uma empresa. Foi construído com uma missão social – Fazer o mundo mais aberto e ligado”.

Mensagem que passou também nas reuniões com fundos de investimento e potenciais investidores nas quais compareceu de ténis e de camisola com capuz o que lhe valeu críticas de alguns analistas que o consideraram “imaturo”.

A verdade é que não é imaturo, é rebelde, muito inteligente e fiel aos seus princípios.

Não é o dinheiro que move Mark Zuckerberg… e julgo que teve algum gozo em “castigar” os gananciosos de curto-prazo.

O que o move é garantir que o Facebook continuará a ser a maior plataforma social do mundo e isso passa por criar maior interatividade entre os utilizadores com possibilidade de transacionarem bens, serviços e conteúdos que só por si são motivos suficientes para garantir o sucesso e rentabilidade do Facebook.

No entanto, a única preocupação que tem no curto-prazo é evitar que os colaboradores mais talentosos não vendam as suas ações e abandonem a empresa para criar startups ou irem apanhar banhos de sol.

Os fatores para o sucesso do Facebook a médio e longo prazo mantêm-se, uma audiência de quase mil milhões de utilizadores em todo o mundo e a garantia de que o seu criador manterá o ADN da empresa.


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