Inovação made in Portugal

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Artigo de Patrícia Silva, Gestora de Comunicação e Marketing na FABERNOVEL

Desde cedo, Portugal demonstrou possuir uma veia arrojada na procura pelo “novo”, sobretudo quando no século XVI navegou por mares desconhecidos, dando novos mundos ao mundo. O ecossistema de empreendedorismo do país detém este mesmo ADN, tendo várias empresas portuguesas sido pioneiras no desenvolvimento de produtos e serviços disruptivos a nível mundial. O espírito inovador, característico dos portugueses, permitiu ter o “jogo de cintura” necessário para fazer um sprint e recuperar o atraso em relação a outros países, após a entrada na União Europeia.

Setor financeiro e pagamentos

No sector da banca, por exemplo, Portugal é bastante evoluído do ponto de vista dos pagamentos electrónicos, graças ao desenvolvimento de uma rede comum a todos os bancos, gerida pela SIBS, e do serviço Multibanco (criado em 1985 e único no mundo), que permite proceder a vários tipos de operações, como consultas, pagamentos de serviços, pagamentos de impostos, transferências, compra de bilhetes de comboio, etc.. Recentemente, a SIBS lançou o MB WAYuma aplicação para smartphone e tablet que permite efectuar pagamentos em lojas e transferências interbancárias imediatas.

Das portagens non-stop a novos pontos de pagamento automático

Também o sistema Via Verde, lançado em 1991 pela Brisa, foi um grande sucesso a nível mundial. Este pequeno identificador, com um sensor integrado, dispensou a necessidade de parar nas portagens, evitando engarrafamentos. O sistema foi implementado em todo o país em 1995 e, hoje, permite também o pagamento automático em parques de estacionamento, em postos de abastecimento, ferries e drive-in da McDonald’s.

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Cartões pré-pagos e a democratização do telemóvel

Ao nível das telecomunicações, os primeiros cartões pré-pagos do mundo foram criados pela TMN da Portugal Telecom (hoje MEO). Uma ideia tão simples como genial que deu origem, em 1995, à criação do Mimo, um telemóvel “pronto a falar”, com cartão pré-ativado, recarregável nas caixas de Multibanco ou qualquer loja TMN, que promoveu a democratização do telemóvel e foi decisivo para a elevada taxa de penetração de telemóveis em Portugal.

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Relevância na indústria aeroespacial

Parte da tecnologia utilizada pela NASA também é portuguesa. Em 1998, a tecnologia avançada de injeção de falhas em sistemas, desenvolvida pela Critical Software, despertou o interesse da NASA, que passou a utilizar este software para testar sistemas até à exaustão, simular erros aleatórios e procurar soluções.

Lisboa, maternidade do empreendedorismo

Embora a inovação tenha partido, muitas vezes, de grandes empresas, a verdade é que Lisboa tem sido a alavanca para o crescimento contínuo de uma comunidade de startups. A capital portuguesa é palco de uma explosão, nunca antes vista, de ideias inovadoras que, entre outras coisas, resultaram na vinda, por três anos, do Web Summit (o maior evento de empreendedorismo tecnológico da Europa) para Lisboa.

O baixo custo de vida, a rapidez e facilidade de criação de uma empresa tecnológica (Portugal está classificado em 10º no mundo para a criação de uma empresa, à frente dos Estados Unidos. O processo leva apenas 45 minutos e pode ser feito on-line) ou os 220 dias de sol, por ano, e a ligação especial ao mar são alguns dos fatores que contribuem para o sex appeal empresarial da capital portuguesa, cuja ambição é transformar-se numa startup city.

Várias iniciativas foram criadas para fomentar este espírito empreendedor na cidade, como a Empresa na Hora, que permite criar uma nova empresa em tempo recorde; a Startup Lisboa, incubadora de empresas, fundada em 2012, e integrada num projeto de reabilitação urbana da Baixa lisboeta; o Programa de Empreendedorismo Jovem de Lisboa, que proporciona aos jovens educação e formação em áreas como a cidadania e a ética, a progressão na carreira, o empreendedorismo e a literacia financeira; ou, ainda, o Lisbon Challenge, que dá apoio e orientação a um conjunto de startups, incluindo sessões em Boston, Londres e São Paulo.

Mais de uma dezena de incubadoras e quatro aceleradores de startups, quatro laboratórios de fabricação digital (FabLabs), 18 espaços de co-working e centros de inovação são o reflexo de uma cultura de inovação que se enraizou em Lisboa e que acendeu o pavio de uma geração de empreendedores sem precedentes na história do país.

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Lisboa possui uma identidade própria e procura assumir-se como “a terra onde a Europa acaba e o mundo começa”, em resposta às várias comparações com cidades com grandes ecossistemas de inovação, como São Francisco, Berlim ou Barcelona. A capital portuguesa tem sido um pilar fundamental nas áreas do desenvolvimento tecnológico a nível europeu, possuindo diferentes características apreciadas pelo mundo empresarial:

  • Mão-de-obra qualificada, especialmente em engenharia, levando grandes multinacionais a visitar o país (como é o caso da Google, Apple, Facebook e Amazon) para recrutar recursos humanos ou estabelecer as suas bases europeias;
  • Aeroporto a 10 minutos do centro da cidade e com ligações diretas para toda a Europa e quase todo o mundo;
  • Grande percentagem de jovens que, além da língua materna, falam fluentemente inglês;
  • Possui o mesmo fuso horário que Londres, permitindo o contato direto com o mercado britânico no período laboral, podendo este servir de mercado de teste antes de os produtos, serviços ou empresas partirem para mercados de maior dimensão;
  • Infraestruturas tecnológicas e de telecomunicações de qualidade que igualam ou superam qualquer outra capital europeia.

Startups de classe mundial

Estes foram alguns dos fatores que despertaram o interesse da organização do Web Summit, até então realizado (desde 2010), em Dublin, na Irlanda. Mas não só, também todo o movimento que se gerou para trazer o evento para Portugal e o bom desempenho de empresas nacionais em edições anteriores do Web Summit tiveram um peso considerável na decisão.

A primeira marca portuguesa deixada nesta conferência internacional foi em 2012, quando a Seedrs (uma plataforma de equity crowdfunding que, em 2013, conseguiu um investimento de 2,5 milhões de libras de 909 investidores) foi a vencedora da competição de startups. Já em 2014 foi a vez da Codacy (que disponibiliza uma plataforma de análise e monitorização de códigos de programação) arrebatar o mesmo galardão, ajudando, mais uma vez, a atrair atenções para o país. Loqr, Facestore, Cuckuu e B-Guest foram outras das startups que se evidenciaram no Web Summit.

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Também a Uniplaces é um exemplo do sucesso nacional além-fronteiras: a plataforma destinada ao alojamento de estudantes universitários expandiu-se por diversos países e esteve nas luzes da ribalta por toda a Europa depois de, em Novembro do ano passado, ter angariado um investimento de 22 milhões de euros, liderado pelo fundo de investimento Atomico, do co-fundador e ex-CEO do Skype, Niklas Zennström.

Até à data, Portugal só possui uma empresa “unicórnio” (avaliada em mais de mil milhões de dólares), a Farfetch (dedicada ao comércio online de roupa e acessórios de luxo), mas já detém várias startups “centauro” (valem mais de 100 milhões de dólares), como são o caso da Talkdesk e da Seedrs. A Feedzai, especializada em big data e mecanismos de deteção de fraude e de machine learning, também faz parte desta lista e é a única startup portuguesa a integrar o índice de referência para empresas de potencial elevado na Europa, o Tech Tour Growth 50, sendo a grande promessa nacional de ascensão a “unicórnio”.

Uma ponte para outras margens

Estes são, contudo, apenas alguns exemplos de startups de sucesso em Portugal, mas o certo é que o potencial empreendedor português é inegável. No caso concreto de Lisboa, que será a anfitriã do Web Summit, há que realçar o facto de deter uma das melhores estratégias da Europa para a promoção do empreendedorismo e da inovação junto das PME. A capital portuguesa foi, aliás, eleita, pela EER – European Entrepreneurial Region, Cidade Empreendedora Europeia 2015, sobretudo pelo seu posicionamento como hub ideal para a criação de negócios, beneficiando, em boa parte, da sua localização geográfica privilegiada: é um gateway não só para a União Europeia, como também para as Américas e África.

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