Inovação made in Portugal
Desde cedo, Portugal demonstrou possuir uma veia arrojada na procura pelo novo, sobretudo quando no século XVI navegou por mares desconhecidos, dando novos mundos ao mundo. O ecossistema de empreendedorismo do país detém este mesmo ADN, tendo várias empresas portuguesas sido pioneiras no desenvolvimento de produtos e serviços disruptivos a nível mundial. O espírito inovador, característico dos portugueses, permitiu ter o jogo de cintura necessário para fazer um sprint e recuperar o atraso em relação a outros países, após a entrada na União Europeia.
Setor financeiro e pagamentos
No setor da banca, por exemplo, Portugal é bastante evoluído do ponto de vista dos pagamentos eletrónicos. Temos uma rede comum a todos os bancos, gerida pela SIBS, e o serviço Multibanco – criado em 1985 e único no mundo – que permite realizar vários tipos de operações, como consultas, pagamentos de serviços, pagamentos de impostos, transferências ou a compra de bilhetes de comboio. Recentemente, a SIBS lançou a MB WAY, uma aplicação para smartphone e tablet que permite realizar pagamentos em lojas e transferências interbancárias imediatas.
Das portagens non-stop a novos pontos de pagamento automático
Também o sistema Via Verde, lançado em 1991 pela Brisa, foi um grande sucesso em Portugal e um exemplo a nível mundial. Este pequeno identificador, com um sensor integrado, dispensou a necessidade de parar nas portagens, evitando engarrafamentos. O sistema foi implementado em todo o país em 1995 e, hoje, permite também o pagamento automático em parques de estacionamento, em postos de abastecimento, ferries e drive-in da McDonald’s.

Cartões pré-pagos e a democratização do telemóvel
Ao nível das telecomunicações, os primeiros cartões pré-pagos do mundo foram criados pela TMN da Portugal Telecom – hoje, MEO. Uma ideia tão simples, como genial, que deu origem, em 1995, à criação do Mimo, um telemóvel “pronto a falar”, com cartão pré-ativado, recarregável nas caixas de Multibanco ou em qualquer loja TMN. Esta solução promoveu a democratização do telemóvel e foi decisiva para a elevada taxa de penetração de telemóveis em Portugal.

Relevância na indústria aeroespacial
Parte da tecnologia utilizada pela NASA também é portuguesa. Em 1998, a tecnologia de teste de falhas em sistemas, desenvolvida pela Critical Software, despertou o interesse da NASA, que passou a utilizar este software para testar sistemas até à exaustão, simular erros aleatórios e procurar soluções.
Lisboa, maternidade do empreendedorismo
Embora a inovação tenha partido, muitas vezes, de grandes empresas, a verdade é que Lisboa tem sido a alavanca para o crescimento contínuo de uma comunidade de startups. A capital portuguesa é palco de uma explosão de ideias inovadoras que, em parte, justifica a decisão de realizar, nos próximos três anos, em Lisboa o Web Summit, o maior evento de empreendedorismo tecnológico da Europa.
O baixo custo de vida, a rapidez e facilidade de criação de uma empresa, os 220 dias de sol, por ano, e a ligação especial ao mar são alguns dos fatores que contribuem para o sex appeal empresarial da capital portuguesa, cuja ambição é transformar-se numa startup city.
Várias iniciativas foram criadas para fomentar este espírito empreendedor na cidade. A Empresa na Hora, que permite criar uma nova empresa em tempo recorde. A Startup Lisboa, incubadora de empresas, fundada em 2012, e integrada num projeto de reabilitação urbana da Baixa lisboeta. O Programa de Empreendedorismo Jovem de Lisboa, que proporciona aos jovens educação e formação, em áreas como a cidadania e a ética, progressão na carreira, empreendedorismo e literacia financeira. Ou ainda, o Lisbon Challenge, que dá apoio e orientação a um conjunto de startups, incluindo sessões em Boston, Londres e São Paulo.
Mais de uma dezena de incubadoras e quatro aceleradores de startups. Quatro laboratórios de fabricação digital (FabLabs). Dezoito espaços de co-work e centros de inovação. Tudo isto é reflexo de uma cultura de inovação que se enraizou em Lisboa e que acendeu o pavio de uma geração de empreendedores sem precedentes na história do país.

Lisboa possui uma identidade própria e procura assumir-se como “a terra onde a Europa acaba e o mundo começa”: em resposta às várias comparações com cidades com grandes ecossistemas de inovação, como São Francisco, Berlim e Barcelona. A capital portuguesa tem sido um pilar fundamental nas áreas do desenvolvimento tecnológico a nível europeu, possuindo diferentes características apreciadas pelo mundo empresarial:
- Mão-de-obra qualificada, especialmente em engenharia, levando grandes multinacionais a visitar o país (como é o caso da Google, Apple, Facebook e Amazon) para recrutar recursos humanos ou estabelecer as suas bases europeias;
- Aeroporto a 10 minutos do centro da cidade e com ligações diretas para toda a Europa e quase todo o mundo;
- Elevada percentagem de jovens que, além da língua materna, falam fluentemente inglês;
- Possui o mesmo fuso horário de Londres, permitindo o contato direto com o mercado britânico no período laboral. Lisboa pode servir de mercado de teste antes de os produtos, serviços ou empresas partirem para mercados de maior dimensão;
- Infraestruturas tecnológicas e de telecomunicações de qualidade que igualam ou superam qualquer outra capital europeia.
Startups de classe mundial
Estes foram alguns dos fatores que despertaram o interesse da organização do Web Summit, que, desde 2010, realizou-se em Dublin, na Irlanda. Todo o movimento que se gerou para trazer o evento para Portugal e o bom desempenho de empresas nacionais em edições anteriores do Web Summit tiveram um peso considerável na decisão.
A primeira marca portuguesa deixada nesta conferência internacional foi em 2012, quando a Seedrs – uma plataforma de equity crowdfunding que, em 2013, captou um investimento de 2,5 milhões de libras – foi a vencedora da competição de startups. Em 2014, foi a vez da Codacy, uma plataforma de análise e monitorização de códigos de programação, arrebatar o mesmo galardão. Loqr, Facestore, Cuckuu e B-Guest foram outras das startups que se destacaram no Web Summit.

A Uniplaces é outro exemplo do sucesso nacional além-fronteiras. A plataforma destinada ao alojamento de estudantes universitários entrou em mercados internacionais e esteve nas luzes da ribalta por toda a Europa: captou um investimento de 22 milhões de euros, liderado pelo fundo de investimento Atomico, do co-fundador e ex-CEO do Skype, Niklas Zennström.
Até agora, só existe uma empresa “unicórnio” (avaliada em mais de mil milhões de dólares) com ADN português: a Farfetch, uma empresa dedicada ao comércio online de roupa e acessórios de luxo. Outras tantas já atingiram o status de “centauro” (avaliadas em mais de 100 milhões de dólares), como é o caso da Talkdesk e da Seedrs. A Feedzai, especializada em big data e mecanismos de deteção de fraude e de machine learning, também faz parte desta lista e é a única startup portuguesa a integrar o índice de referência para empresas de elevado potencial na Europa, o Tech Tour Growth 50. É considerada, por isso, a grande promessa nacional de ascensão a empresa “unicórnio”.
Uma ponte para outras margens
Estes são apenas alguns exemplos do potencial de empreendedorismo português. No caso concreto de Lisboa, o reconhecimento já chegou e foi apontada pela EER – European Entrepreneurial Region como “Cidade Empreendedora Europeia 2015”. A capital portuguesa está a posicionar-se como hub para a criação de negócios, que beneficia da sua localização geográfica privilegiada para ser um gateway não só para a União Europeia, como também para as Américas e África.
