Learning Expedition: Um desencadeador de dinâmicas de transformação

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Artigo de Antonin Torikian, CEO do FABERNOVEL INSTITUTE Paris

Entre as várias alavancas disponíveis para as organizações que se transformam, há uma que é particularmente útil: a Learning Expedition (LX).

Um verdadeiro acelerador de tomada de decisão, as LX contribuem para dinamizar um coletivo e para forjar convicções sobre assuntos muitas vezes indefinidos. Ainda assim, ainda existe muito pouca documentação sobre o assunto. Na FABERNOVEL, já organizamos LX há 7 anos e decidimos partilhar o que tem sido a nossa experiência.

Uma experiência para alcançar uma doutrina

As cidades e os territórios europeus, africanos, americanos e asiáticos estão cheios de modelos e iniciativas que podemos ler em jornais ou revistas especializadas, quer em quiosque, quer em digital. No entanto, raros são os testemunhos que permitem entender a objetividade do terreno e raros são os líderes que aceitam contar tudo, revelar pequenos detalhes fora de um círculo restrito. Fazer uma Learning Expedition significa ir ao encontro de um ecossistema em movimento, confrontar-se com a realidade e forjar convicções através da experiência vivida e através de uma relação única com quem nos recebe. “Learning by doing”, como diria Kenneth Arrow. De facto, como é possível entender:

A força da plataforma WeChat e dos seus 600 milhões de utilizadores sem nunca a ter testado um pagamento instantâneo entre amigos?

As fronteiras entre a vida profissional e a vida pessoal na Dinamarca, um país muitas vezes referido como modelo, sem nunca ter falado pessoalmente com os sindicatos e os colaboradores?

A iminência dos perigos do reconhecimento facial generalizado e dos meta dados associados em alguns países asiáticos sem nunca ter observado as utilizações quotidianas com uma perspetiva de segurança?

São Francisco é sem dúvida um destino-chave. Mais próximo ainda Paris, Berlim, Amesterdão, Milão, Londres, Tel Aviv, Copenhaga são também destinos pertinentes, dependendo dos objetivos e temáticas a explorar. Novos ecossistemas emergem desde há uma dezena de anos em África, Ásia, Índia, com mosaicos culturais particularmente interessantes na perspetiva dos seus mercados e dos seus utilizadores, como: cidades inteligentes em Singapura, economia da partilha na China, robótica no Japão, etc. Mas antes de escolher um destino é importante falar de objetivos.

Sem objetivos, não há resultados

Para além de ser uma viagem exploratória, uma Learning Expedition deve contribuir para responder a objetivos muito específicos. Eis alguns desafios mais procurados pelas grandes empresas nos últimos meses:

  • Construir uma nova sede do grupo daqui a 7 anos.
  • Redesenhar a política de remuneração e de avaliação de performance dos colaboradores.
  • Melhorar a presença do grupo nas redes sociais na Ásia e particularmente na China.
  • Otimizar o modelo de entregáveis de IT da organização.
  • Redesenhar a política de Learning & Development.
  • Identificar e chegar a acordo com parceiros pertinentes para o lançamento de experiências de mobilidade em cidades como Chicago ou Boston.
  • Apoiar os conselhos de administração a definir a sua política de investimento em startups.
  • Redesenhar a comunicação interna das direções utilizando o modelo «all hands meeting» de Silicon Valley.
  • Lançar uma aplicação mobile que seja a referência do setor.

“O futuro já chegou, só falta ser distribuído”, para citar William Gibson. Desejável ou não. E está presente em várias regiões do mundo. Numa economia de mercado sem fronteiras, que nos leva a sair das nossas zonas de conforto, trata-se acima de tudo de reinventar a forma como pensamos. A Learning Expedition é uma excelente ferramenta que permite construir o futuro em função das necessidades de cada empresa.

Trabalho a duplicar

Finalmente, uma Learning Expedition é muito trabalho! Concretamente, trata-se de investir muito tempo na concepção para, depois, viver um percurso imersivo apenas durante uns dias.

Antes da Learning Expedition, é necessário conceber um programa, ou seja, encontrar uma abordagem editorial e os interlocutores certos: uma LX pode ser a oportunidade de estar com os primeiros grandes talentos da IDEO, que estiveram na origem do Design Thinking nas universidades americanas, de estar com a equipa que trabalha com Marc Andreessen, que avançou com capital de risco em projetos como o Netscape, Mosaic, Facebook ou ainda o eBay.

Por onde começar? É uma decisão de cada organização. O alinhamento dos objetivos com a estratégia da empresa é um fator de sucesso importante.

Durante a Learning Expedition, prepare-se para sprint, intensivo e apaixonante: levanta-se às 6h para conseguir ter entre 5 a 10 encontros por dia, um debriefing diário e exercícios de transposição das aprendizagens para a sua empresa. Vai passar as noites a trabalhar nos projetos em curso na sua empresa. E se tudo correr bem, deita-se por volta das 23h.

Depois da Learning Expedition, antes de mais há que recuperar os dias fora. Depois, ainda muito trabalho: solidificação dos resultados da LX, dar continuidade às decisões tomadas, partilha com os restantes colaboradores, mobilização das equipas de trabalho, ponto de situação mensal sobre o retorno dos projetos desenvolvidos…

Partir em Learning Expedition, é iniciar um movimento, é pôr em causa, é um estado de espírito individual e coletivo que permite definir o futuro da organização, estando consciente dos impactos sociais, tecnológicos e políticos. É conseguir solidificar convicções passando a ter uma plena consciência do estado da arte e dos standards de mercado.


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